Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 09/04/2020

A série ‘‘Atypical’’ conta a história de Sam, um jovem autista que junto à família vive um processo de superação das suas limitações em busca de autonomia. Fora da ficção, essa realidade é refletida na vida de muitas famílias brasileiras, que diariamente enfrentam barreiras sócio-culturais sobre o Transtorno do Espectro Autista. Tendo em conta que a temática do TEA é pouco discutida, logo, é abordada com muitos esteriótipos e preconceito, devido a desinformação e falta de transparência acerca do assunto.

Em primeiro lugar, é importante destacar os fatores que suscitam o preconceito com as pessoas com autismo. Nesse sentido, desde a Idade Média, pessoas deficientes sofriam com a exclusão social por ter sua capacidade intelectual desacreditada, em consonância, a sociedade contemporânea repete o mesmo erro devido seu despreparo a tais indivíduos. Um exemplo dessa realidade, é o caso de Luís Fernando, um garoto de 9 anos do Espírito Santo que gravou um vídeo após ouvir de seu colega de sala que autistas eram deficientes, em síntese, na gravação o garoto pedia o fim do preconceito e informava a população sobre o transtorno.

Em segundo lugar, é importante evidenciar a desinformação e a falta de debate e transparência acerca do transtorno. ‘‘Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara. ’’ A frase célebre do autor José Saramago induz a uma reflexão acerca da integração de autistas na sociedade brasileira. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), estima-se que mais de 2 milhões de brasileiros sejam autistas, representando quase 1% dos habitantes do país. Diante disso, por ser considerado um grupo minoritário, há pouca visibilidade das temáticas que envolvem esse transtorno, o que implica no preconceito generalizado e, consequentemente, na segregação desse arranjo frente ao meio coletivo.

Diante do exposto, torna-se evidente que os desafios para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil requer medidas para modificação de tal cenário. Para isso, o Estado deve investir na formação dos futuros docentes, criando novas disciplinas curriculares que discutam a inclusão de autistas no meio social e preparem de forma apropriada os estudantes dos cursos de licenciatura. Dessa forma, será possível garantir uma educação que, de fato, integra indivíduos e promove a plena construção de conhecimentos. Ademais, é necessário que o Governo Federal promova campanhas de conscientização acerca dos direitos e da importância dos autistas para a nação, por intermédio de uma ampla divulgação midiática, que inclua propagandas televisivas e postagens nas redes sociais, com o intuito de reeducar os brasileiros, estimulando a tolerância e o respeito. Só então seremos uma sociedade que promove a igualdade de direitos.