Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 11/04/2020
O cantor inglês Sam Smith possui um grau leve do Transtorno do Espectro Autista, e mesmo assim é conhecido mundialmente por sucessos como “Stay With Me” e “Dance With a Stranger”. Assim como Sam, muitos brasileiros portam essa doença, todavia não recebem a aceitação de uma gama de pessoas. Em teoria, esse problema acontece devido a dois fatores: o histórico de exclusão das pessoas com doenças mentais e os estigmas sociais presentes em nosso país, dos quais corroboram para a dificuldade de inclusão pessoas autistas na sociedade brasileira.
Em primeiro lugar, é necessário reconhecer que o Brasil é um dos muitos países com o passado obscuro no que tange às patologias psíquicas. Há menos de uma década, por exemplo, o Estado utilizava-se de manicômios e casas de isolamento para esconder pessoas com esses empecilhos. O retrato disso está presente no livro “O Holocausto Brasileiro” da escritora Daniela Arbex, que aponta a exclusão e a privação de direitos humanos dos pacientes como rotina no antigo Hospital de Barbacena, em Minas Gerais. Nesse sentido, observa-se a existência de episódios violentos na memória brasileira.
Ademais, é imperativo citar que a estigmatização da comunidade autista demonstra a permanência do padrão ocidental de pensamento no Brasil. Outrora vigentes, os tempos da antiguidade grega contribuíram negativamente para a concepção do que seria normal: do grego “nomos”, campos planos; e do que seria anormal, campos rugosos. Acidentalmente traduzida, a palavra nomos tornou-se também significado de “lei”. Com isso, passou a ser compreendido como lei, tudo aquilo que não portasse rugosidade ou anomalia. Deste modo, frente às dificuldades de aceitação das diferenças no Brasil, é importante gerar reflexão acerca da condição humana e todas as suas excepcionalidades, tendo em vista a realidade discriminatória perpetuada em nosso cotidiano.
Em conclusão, urgem medidas imediatas para superar o impasse. Por isso, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deverá elaborar um projeto de lei propondo a inclusão da semana de conscientização sobre o autismo na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Após entregue e votada pelo Congresso Nacional, a lei servirá tanto como ação para a integração da comunidade autista nas práticas educacionais, tanto como mecanismo de preservação da memória dessas pessoas. Por fim, espera-se que com essa lei, jovens talentosos como o cantor Sam Smith possam viver livres de estigmas e preconceitos.