Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 22/04/2020

A série americana “The Good Doctor”, narra a trajetória de um jovem cirurgião com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Infelizmente, a ascensão social vista nas telas destoa da realidade brasileira, uma que vez que não há, no Brasil, uma democratização no ensino educacional básico, voltado para as necessidades dos autistas; também, destaca-se, a falta de conhecimento em relação a esse grupo. Portanto, é preciso garantir a inclusão dos autistas na sociedade de forma eficiente.

Em primeiro lugar, é preciso considerar que o autismo é uma condição na qual o individuo apresenta dificuldade no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação e no comportamento social. Logo, é preciso entender que se torna necessário um ensino especializado para esse grupo. Entretanto, o acesso ao ensino especial, no Brasil, é muito limitado. Segundo dados do Ministério da Educação, apenas 5,7% de todos os professores do país tem especialização em educação especial. Ademais, as escolas públicas e até mesmo privadas  não estão preparadas em infraestrutura e tecnologias capazes de ajudar a potencializar a capacidade cognitiva de autistas de grau leve. Dessa forma, fica evidente a falta de condições necessárias a inclusão dos autistas na sociedade, uma vez que a escola é a melhor forma de inclui-los socialmente. Em virtude disso, existe resistência do mercado de trabalho em absorver-los e dificuldade no acesso ao ensino superior.

Outrossim, a falta de informação torna-se um fator negativo na inclusão de autistas no Brasil. Em detrimento disso, muitos são excluídos socialmente pelo preconceito e discriminação disseminado para os grupos com algum tipo de deficiência. Lamentavelmente, o diagnóstico é clínico, ou seja, apenas pela observação dos pais e pelos profissionais de saúde é possível prever a doença. Assim, limita-se muito a capacidade de inclui-los no meio social de forma eficiente. Além disso, apenas em 1993 o autismo foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, segundo dados da USP em 2018, o que corrobora a falta de conhecimento sobre o assunto.

Em suma, é preciso superar os entraves da inclusão de autistas no Brasil. Imediatamente, o Ministério da Educação deve fornecer aos professores brasileiros a oportunidade de conhecer e se especializar por meio de cursos de pós-graduação em áreas relacionadas a educação especial, como a psicopedagogia, a fim de tratar as dificuldades de aprendizado na esfera escolar. Além disso, é essencial que o Ministério da Saúde proporcione a população conhecimento a respeito do TEA, por meio de campanhas informativas que ajude a esclarecer a doença, e deve, também, aliar-se a instituição familiar a fim de melhorar o diagnóstico clínico do autismo e minimizar o preconceito. E, só assim, pode-se-á colocar na realidade brasileira o que se passa nas telas americanas.