Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/04/2020
A Lei Nº 12.764, sancionada no dia 27 de dezembro de 2012, visa assegurar a igualdade do exercício dos direitos e das liberdades fundamentais pelos portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Todavia, é evidente que o objetivo da lei não foi concretizado, visto que a inclusão efetiva desses indivíduos ainda encontra diversos entraves, sobretudo quanto ao convívio social e ao acesso à educação. Nesse cenário, convém apontar que o preconceito da população perante as pessoas com autismo, bem como a ineficiência das políticas públicas aplicadas para sua integração, são entraves que precisam ser superados para que se transponha essa problemática.
Em primeiro plano, convém analisar os reflexos do comportamento do corpo social perante aos indivíduos que apresentam a deficiência supracitada. Para tanto, considera-se o raciocínio apresentado no livro “Psicologia das Massas e Análise do Eu”, do psicanalista Sigmund Freud, em que aponta-se a tendência das pessoas em suprir o próprio ego e agir de acordo com o meio, oprimindo as diferenças. Nessa lógica, entende-se que a postura de desinteresse e a falta de conhecimento da sociedade é uma das raízes da exclusão das pessoas com autismo, cenário que é mantido e repassado entre as gerações pela falta de informação a respeito do transtorno. Logo, é imprescindível a mudança de mentalidade da população e a divulgação do tema para que seja minimizada a exclusão de minorias.
Outrossim, aponta-se a falta de capacidade técnica do corpo docente nas escolas para o ensino de crianças e jovens com autismo. Quanto a isso, segundo a pedagoga Maria Teresa Égler, o papel da escola não é apenas de ensinar grandes disciplinas, mas também de participar decisivamente no estabelecimento de padrões de convivência social. Em consonância, considera-se o desenvolvimento das habilidades sociais das pessoas autistas estreitamente ligado à sua inclusão nos ambientes de ensino, o que é dificultado pela carência de estruturas que supram as necessidades dessa minoria. Logo, é necessário que se invista no setor educacional para que uma nação integrada seja alcançada.
Portanto, torna-se evidente a premência das medidas que revertam o cenário de exclusão dessa parcela da população. Assim, é necessário que a mídia se comprometa em informar o público a respeito da problemática, divulgando-a por meio de filmes e telenovelas, para que seja possível aumentar o conhecimento das pessoas a respeito do TEA, e seja minimizado o preconceito perante o transtorno. Além disso, é preciso que o Ministério de Educação, responsável pelas políticas educacionais em âmbito federal, crie, com aplicação de verbas governamentais, projetos de professores especializados na área de crianças com TEA, para minimizar os entraves do processo de adaptação. Desse modo, poder-se-á promover o exercício da cidadania plena por todos os integrantes do país.