Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 07/05/2020

“The Good Doctor” é um seriado americano de drama médico, no qual o protagonista, Dr. Shaun Murphy, portador do transtorno do espectro autista, é aceito como residente de cirurgia em um grande hospital. Saindo-se da ficção, nota-se que, lamentavelmente, essa realidade inclusiva não vem sendo aplicada de igual maneira no Brasil, o que afeta, negativamente, outros fatores do desenvolvimento, a saber a economia e os processos de interação social. É, portanto, cabível a análise dos desafios da inclusão de pessoas com autismo, a fim de minimizá-los na sociedade brasileira.

Em primeira análise, vale salientar que as diversas formas de discriminação são comuns desde os tempos mais remotos da história humana. Na Grécia Antiga, por exemplo, mais precisamente na cidade-estado de Esparta, crianças que nasciam com alguma deficiência eram atiradas de penhascos por não corresponderem ao ideal de pureza exaltado pelas pessoas que viviam naquela época. Tal absurdo chega à idade contemporânea com as situações de exclusão social, que colocam pessoas portadoras de algum transtorno, inclusive as autistas, dentro de um campo de dificuldades para ascender socialmente. Nesse contexto, no Brasil, esses indivíduos são deixados de lado para frequentar a escola, a faculdade, o trabalho e até para desenvolver suas habilidades, o que notifica um grande entrave para o desenvolvimento da educação e, concomitantemente, da economia.

Outrossim, em países subdesenvolvidos como o Brasil, a  falta de investimentos para diagnosticar precoce e corretamente o autismo, aliada ao protecionismo das famílias para com seus portadores, também descreve um grande impasse. Face a essa lástima, o desenvolvimento das habilidades de agir, relacionar e comunicar dessas pessoas fica comprometido, haja vista que diagnósticos tardios e falta de contato social dificultam o tratamento dessa condição neurológica. Consequentemente, além de afetar a economia da nação, por restringir a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho e na educação, a exclusão de cidadãos que estão dentro do espectro em questão, gera também dificuldades nas relações pessoais, fator chave para o desenvolvimento da sociedade.

Destarte, é verídico que os desafios para a inserção de pessoas com autismo geram grandes problemas a outros setores. Cabe ao Governo promover, por meio do CRAS - Centro de Referência em Assistência Social - e dos ministérios da saúde e da educação, projetos que tornem obrigatória a existência de profissionais capacitados para lidar com crianças portadoras dessa condição nas escolas de rede pública ou privada, como psicólogos e professores especializados nessa área, através de campanhas que chamem esses trabalhadores. Quiçá, tais medidas instigarão que pessoas com autismo comuniquem-se e desenvolvam suas habilidades, garantindo assim a integridade social.