Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 11/05/2020

Na série " The Good doctor", é retratada a vida do médico autista Shaun Murphy e os percalços enfrentados por ele em seu cotidiano. Nesse cenário, é mister destacar que,embora Aristóteles afirme que o homem é um ser naturalmente social, é visto que, assim como Murphy, os cidadãos brasileiros, inseridos no espectro autista, enfrentam dificuldades para serem incluídos, de forma efetiva, na sociedade sendo necessário que se examine, veemente, os fatores que geram tal problemática. Nesse sentido, a constituição de uma sociedade que garante a socialização de seus cidadãos pressupõe cuidadosa análise acerca do acesso à informação e da  estruturação da sociedade.

Em primeira análise, a escassez de entendimento acerca do transtorno de neurodesenvolvimento favorece a exclusão social de autistas. Consoante Zygmunt Bauman - sociólogo polonês-, na atualidade, os cidadãos vivenciam um conhecimento fragmentário, ou seja, há acesso à informação, mas pouco conhecimento é de fato produzido. Nessa perspectiva, a falta de ciência sobre o autismo, é um obstáculo que inviabiliza a obtenção de um diagnóstico precoce e adequado,  o que coloca em risco a inserção social do indivíduo. Logo, não é razoável que a falta de conhecimento sobre o autismo permaneça em um país que almeja tornar-se nação desenvolvida.

De outra parte, é urgente que se desconstrua a cultura de marginalizar os indivíduos que não se encaixam num padrão. Nesse contexto, é visto que não só na Pólis espartana, mas também no Nazismo, os cidadãos física ou cognitivamente diferentes dos padrões eram marginalizados perante à sociedade. Sob esse aspecto, ao ser negligente e não fornecer escolas inclusivas e tratamento adequado, o Estado trás de volta, ao convívio social, os conceitos degradantes vivenciados na Grécia e na Alemanha, provocando, dessa forma, a imprudente segregação de autistas. Assim, a manutenção de ideologias consideradas, historicamente, errôneas representa grave retrocesso e causa um dos mais graves obstáculos para o Brasil: a exclusão social de indivíduos presentes no espectro autista.

Urge, pois, que ONG’s e instituições públicas cooperem para mitigar a problemática em voga. Desse modo, cabe às Organizações Não Governamentais munir os indivíduos com conhecimento sobre o autismo, por meio da formação de grupos de apoio nas comunidades para que ocorra discussão do tema com profissionais capacitados - médicos, psicólogos, psicopedagogos-,a fim que munidos com sabedoria, os cidadãos possam integrar os autistas à sociedade. Ao Ministério Público, por sua vez compete fornecer tratamento adequado aos portadores do transtorno do neurodesenvolvimento, por intermédio do acompanhamento escolar gratuito e consultas com profissionais capacitados, para que a população autista deixe de ser marginalizada. Com tais medidas, o fato será amenizado.