Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 08/05/2020
O filme “Forrest Gump” retrata a vida de Forrest, que possui síndrome de Asperger – forma mais branda de autismo – e lida diariamente com as condições que a doença traz à sua vida. Inegavelmente, mesmo com os empecilhos que o autismo condiciona a Gump, como o raciocínio lento, o protagonista não se considera desfavorecido, tendo o apoio da família como fator determinante para enfrentar as dificuldades e viver normalmente sua rotina. Infelizmente, fora da ficção, a realidade enfrentada por autistas no Brasil encontra obstáculos quanto à integração deles em meio à sociedade. Com isso, vale analisar, sobretudo, a intolerância ao diferente e a difícil adaptabilidade das escolas na integração acadêmica dos autistas como agravantes do desafio de inclusão.
A priori, segundo Helen Keller, o resultado mais sublime da educação é a tolerância. Nesse contexto, as escolas detêm importante papel quanto à educação, não somente acadêmica, mas, acima de tudo, benevolente ao próximo. Entretanto, o cenário brasileiro encontra-se divergente à máxima de Keller considerando que, de acordo com o jornal O Globo, cento e cinquenta milhões de adolescentes afirmam que sofrem bullying nas escolas. Diante disso, é inegável a dificuldade do exercício da tolerância entre jovens brasileiros, principalmente àqueles considerados “diferentes”, fato que contribui amplamente com a desafiante inclusão de autistas nas instituições de ensino brasileiras.
Ademais, a série Atypical exemplifica como Sam, diagnosticado com espectro autista, enfrenta as dificuldades da doença por meio dos estudos, mostrando-se, acima de tudo, dedicado e curioso. Indubitavelmente, o falho sistema educacional brasileiro, extremamente cartesiano, limita as possibilidades de ampliação de métodos que englobem todas as particularidades de aprendizagem dos alunos. Dessa forma, os autistas encontram dificuldades quanto à inclusão deles em ambientes que não estão aptos a compreender e se adequarem às demandas que lhes são necessárias, principalmente acadêmicas. Assim, a carência de tolerância bem como a dificuldade de adaptabilidade nas instituições de ensino corroboram os desafios integradores dos autistas.
Diante disso, faz-se necessária a adoção de medidas que minimizem os desafios quanto à inclusão de autistas na sociedade. Por certo, urge que o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Educação Especial, realize, nas escolas, projetos que visem a construção de tolerância por meio da sétima arte. Isto é, recorrendo a filmes e séries, como Atypical e Forrest Gump – que retratam o autismo e suas particularidades – espera-se, por fim, que a máxima de Helen Keller seja efetivada e que as escolas brasileiras tornem-se ambientes integradores.