Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 14/05/2020

O filme “Adam” aborda questões relacionadas à síndrome de Asperger, comumente conhecida como autismo, como a dificuldade nas interações sociais e no aprendizado, experienciadas pelo personagem principal. Sob esse viés, fora da ficção, é necessária uma profunda reflexão acerca dos obstáculos da inclusão de pessoas portadoras do autismo em um âmbito nacional. Não raramente, tais impedimentos se perpetuam por causa de uma sociedade subjetivista, bem como a falta de assistência do poder público no que tange a educação.

A priori, vale mencionar que a inserção dessa parcela da população ao meio social ainda é deficiente. Isso posto, infere-se que, com o advento da modernidade, o indivíduo está inserido em uma sociedade individualizada, caracterizada pela impessoalidade, segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Por consequência disso, tal problemática tem sido cristalizada e naturalizada na atual conjuntura.

A posteriori, é imprescindível ressaltar que, de acordo com a escritora brasileira Andrea Ramal, “ o conceito de educação inclusiva se afina com a ideia de uma sociedade capaz de incluir todas as pessoas”. Percebe-se, porém, que o sistema educacional brasileiro é inconsistente no que se refere a inclusão dos indivíduos autistas. Isso ocorre, pois grande parte das instituições de ensino não estão preparadas para esse contexto e também não contam com profissionais capazes de lidar com esse quadro. Consequentemente, vai de encontro ao ideal republicano, que assegura a todos o direito à educação.

Portanto, para que os desafios na integração dos portadores do autismo sejam atenuados, algumas ações devem ser conjuntas. Para tanto, devem os conglomerados midiáticos, dada a amplitude se sua influência, promover campanhas que abordem tal temática, por meio de um viés mais inclusivo, a fim de que a sociedade seja conscientizada a respeito das necessidades desse grupo. Ainda, é dever do Estado, responsável por atender a população nas suas carências, criar leis que fomentem a inserção dos autistas em um contexto educacional equânime, por meio de uma emenda constitucional consistente e efetiva, bem como profissionais qualificados para lidar com essa particularidade, objetivando o Estado de bem-estar social a todos, sem exceção dessa parcela de sujeitos.