Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 19/05/2020

Uma problemática persistente no contexto contemporâneo, é a falta de estrutura, preparação e inclusão de pessoas portadoras de deficiências na sociedade. Parafraseando o pensamento de Paulo Freire, “não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes”, portanto, evidenciando-se as dificuldades de um ser de anomalia física ou intelectual, não justifica sua exclusão, pois não o faz menos digno de aprendizagem e esforço por parte de corpos docentes e equipes trabalhistas.

Em primeira análise, pode-se ressaltar a hipocrisia por parte da população, governo e partidos, pondo em vista que ambos os conjuntos promovem projetos e dedicatórias a essa causa, tendo até o dia 2 de abril como dia mundial da conscientização e luta do autismo, mas não usufruem de suas defesas e “crenças”, tocante ao fato de que, ao incluir essas pessoas especiais na sociedade, se calam e fogem da responsabilidade, já que elas precisam de apoio e cuidados mais específicos, transformando o assunto num tabu e uma decadência vergonhosa.

Ademais, o autismo atinge cerca de 2 milhões de brasileiros e, ao analisar um adulto autista, seu modo de agir assemelha-se ao de uma criança. Pode-se adquirir uma noção desse comportamento pela leitura do livro “Todas as pequenas luzes” de Jamie McGuire, o qual a mãe de Catherine Calhoun, possui várias problemas psicológicos e, dentre eles, a personalidade e comportamento de uma criança, com a mesma inocência e conhecimento limitado, fazendo com que Catherine cuide-a como tal e proteja-a de preconceitos e intolerâncias.

Acerca dessa lógica, percebe-se que os cuidados com os portadores dessa síndrome, são necessariamente abrangentes. No entanto, escolas e tampouco empresas, possuem instalações e preparação para propiciar uma recepção para esse público deficiente, o que vem a ser motivo de processo judicial, pois é obrigatoriedade das empresas e escolas, segundo a constituição brasileira, oferecer ambiente, equipe e oportunidades adequadas a todo ser humano e, no caso desses cidadãos, promover a inclusão social, sem riscos de concorrência injusta no mercado de trabalho e estudantil.

Contudo, é necessário promover a empatia e conscientização social, começando com uma maior atenção e participação do governo, promovendo projetos que atuem em prol desse público, utilizando recursos tecnológicos, como aplicativos que monitorem sua localização a cerca de tranquilizar a família do indivíduo, o qual ficaria restrito a parentes e chefe do seu campo de trabalho, e funções no app que facilitem o trabalho e entendimento do portador da doença. Assim, o Brasil pode chegar a alcançar a justiça social.