Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 05/06/2020

Em 1988, Ulysses Guimarães estabeleceu, no artigo 3° da Carta Magna, que a República deveria ser capaz de garantir o desenvolvimento nacional. Entretanto, décadas se passaram, e os indivíduos brasileiros estão distantes de ver a promessa do artigo 3° fora da teoria, visto que,existem desafios para incluir pessoas com autismo na sociedade,o que prejudica toda a sociedade. Dessa maneira,essa problemática é potencializada não só pela negligência governamental, mas também pelo despreparo familiar. Sendo assim, torna-se evidente a necessidade de medidas para para incluir pessoas com autismo na sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, convém elucidar que a omissão governamental frente a essa realidade torna-se um obstáculo. Nesse contexto, de acordo com as ideias do contratualista Jonh Locke configura-se uma violação do Contrato Social, já que o Estado não cumpre com sua função de garantir que tais jovens cidadãos usufruam de direitos imprescindíveis, como o direito à educação inclusiva de qualidade. Ocorre que, as muitas escolas públicas não possuem profissionais capacitados para receber esse tipo de aluno, por precisarem de uma atenção redobrada, ao não receberem essa atenção,os autistas são expostos a uma condição de maior exclusão e desrespeito.

Outrossim, o despreparo familiar dificulta o progresso desses indivíduos com autismo. Dessa forma, a série “Atypical”, produzida pela Netflix, pontua diversas situações em que a família não está preparada para lidar com Sam, o personagem autista. De maneira similar, nota-se a vulnerabilidade social em que esse indivíduo possue, uma vez que, muitas vezes, quando a família percebe a diferença na criança, ela não encontra o auxílio necessário, pois, no Brasil, o diagnóstico ainda é impreciso e tardio, inviabilizando todo o desenvolvimento do indivíduo.De acordo com o relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças(CD), dos Estados Unidos, estima-se que 1 a cada 68 crianças, possuem autismo. Nesse viés, o auxílio de profissionais da saúde torna-se um suporte essencial, não só para o assistido, mas para a família inteira.

Diante dos fatos supramencionados, é notória a necessidade de ações para reverter o atual cenário brasileiro. Desse modo, cabe ao Poder Público destine maiores investimentos para a educação, através da capacitação não só dos profissionais de educação, mas também com a contratação de psicólogos e profissionais da saúde, com o objetivo de oferecer um ambiente equipado para diversas demandas. Ademais, cabe ao Ministério de Saúde mapear as diversas famílias que possuem autistas em seu meio, por meio pesquisas nos bairros, a fim de oferecer auxílio para todos. Assim, caso essas medidas ocorram, possibilitará que a promessa de Guimarães deixe de ser apenas teoria.