Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 08/07/2020

Inércia é uma lei da física a qual um corpo tende a permanecer em repouso ou em movimento retilíneo e uniforme, a menos que aja uma força externa sobre ele. Deste modo, pode-se observar o estado de inércia em que se encontra a sociedade brasileira, uma vez que anda em movimento uniforme na direção e sentido contrários as necessidades dos portadores do autismo. Portanto, a constante estereotipização dos indivíduos que possuem a síndrome e a incapacidade do sistema educacional em acolher estes cidadãos, contribuem para a problemática.

A priori, deve-se inferir a respeito da rotulação dos cidadãos que possuem autismo. Segundo o Ministro da Propaganda nazista Joseph Goebbles: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Isto posto, é notório o perigo que uma mentira amplamente disseminada representa para o Estado. Ademais, a visão retrógrada de que aqueles que possuem necessidades especiais são incapazes e descartáveis para a sociedade, cria nas pessoas um sentimento de repulso diante dos portadores da patologia. Por conseguinte, a dificuldade de se relacionar com outras pessoas que deveria ser sintoma da síndrome se torna o sintoma de uma doença social, o preconceito.

Outrossim, a ausência do sistema educacional em atender necessidades especiais funciona como catalisador para a exclusão. Na antiga cidade-Estado grega, Esparta, aqueles que possuíssem deficiências físicas eram considerados inutilizáveis. Deveras, os órgãos educacionais apresentam uma política semelhante àquela adotada em Esparta, já que carecem de recursos e profissionais especializadas para tratar e lidar com as crianças e os jovens autistas. Em virtude do fato, temos como consequência uma maior abstenção destes indivíduos nos processos de formação pessoal e profissional.

Diante dos fatos supracitados, é de suma importância desenvolver medidas que auxiliem a vida dos autistas. Para isso, faz-se necessário a ação das grandes mídias na realização de campanhas, que passem informações detalhadas sobre a síndrome, a fim de desmistificar a patologia e de funcionar como cura para a doença do preconceito. Além disso, é papel do Ministério da Educação oferecer a estrutura necessária para a formação completa destes indivíduos como, professores especializados e sistemas de avaliações diferenciados, com o intuito desenvolver maior independência destes. Só assim, com que a sociedade brasileira ande no mesmo sentido que as necessidades dos autistas.