Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 14/03/2021

No filme turco “Milagre na cela 7”, Memo é um pastor de ovelhas que tem autismo e uma filha de 8 anos. No filme, Memo tem grandes dificuldades de inclusão na sociedade, por ser autista e muitas vezes ser estigmado pelas pessoas. De forma análoga, no Brasil, a gestão pública tem permitido que a falta de inclusão dos autistas se agrave cada vez mais nos ultimos anos. Sob esse aspecto, faz-se necessário falar sobre os principais desafios de inclusão e o estigma relacionado a essas pessoas.

Em primeiro lugar, é valido reconhecer como o autismo tem sido extremamente limitado na sociedade. Por exemplo, existem limitações principalmente em escolas, com a falta de profissioonais capacitados, e vagas para autistas no mercado de trabalho, que tambem limita a inclusão dessas pessoas. Em suma, de acordo com a legislação brasileira a pessoa autista não sofrerá discriminação por motivo da deficiência. Portanto, limitar o número de vagas em razão da deficiência é demasiadamente discriminatório e na contramão de um sistema educacional inclusivo.

Em segundo lugar, vale salientar como as pessoas com transtorno do espectro autista são frequentemente sujeitas à estigmatização, discriminação e violações de direitos humanos. Globalmente, o acesso aos serviços e apoio para essas pessoas é escasso, o que corrobora para uma sociedade preconceituosa. Essa escassez, é manifesta através da falta de conhecimento, da falta de profissionais em escolas, infraestuturas adequadas, acompanhamento com profissionais de saúde e vagas de emprego. Além disso, apenas em 1993 o autismo foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, segundo dados da USP em 2018, o que tambem leva a dificuldade de incluir autistas no corpo social.

Os problemas relacionados ao autismo requerem, portanto, medidas para diminuir esses entraves. Com o intuito de amenizar essa problemática, as escolas, em parceria com as famílias, devem inserir a discussão sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestras, com a participação de psicólogos e especialistas, que debatam acerca de como agir e desenvolver desde a a infância a inclusão de autista e o combate a discriminação. Ademais, o governo deve disponibilizar mais verba para ser investida na infraestrutura e no ampliamento de profissionais adequados para lidarem com essa condição. Dessa forma, espera-se que, a sociedade seja mais inclusiva, e os problemas diminuam.