Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 28/11/2020

O autismo é um distúrbio de desenvolvimento que compromete a comunicação social e leva a comportamentos restritivos e repetitivos que, normalmente, se iniciam nos primeiros anos de vida. Apesar de existir uma Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, fatores socioculturais e estruturais dificultam a inclusão dessas pessoas na sociedade brasileira, o que gera consequências negativas para esses indivíduos. Nesse sentido, urge uma medida de intervenção cuja finalidade seja reverter esse quadro.

Em primeira análise, é necessário considerar a existência de diversos motivos que entravam a integração dessas pessoas na sociedade. Apesar de alguns avanços na área científica, pouco se sabe sobre essa doença, o que acarreta uma falta de informação em grande parte da população sobre esse assunto. Isso leva ao preconceito e à discriminação, haja vista a ignorância em relação ao comportamento diferenciado apresentado por um autista, como hipersensibilidade, preferência por ficar sozinho com um objeto que lhe tenha despertado interesse, ficar parado olhando fixamente um ponto, entre outros. Esse desconhecimento também se estende ao corpo docente da maioria das escolas, o qual não possui capacidade técnica para desenvolver métodos de ensino e socialização direcionados a esses alunos, o que gera um desperdício de potencial, visto que pessoas com esse transtorno podem desenvolver habilidades complexas com muita facilidade, como música, pintura, matemática, etc. Dessa forma, muitos pais consideram que os filhos autistas estarão mais protegidos em casa.

Ademais, segundo Aristóteles, o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para sua realização pessoa e a sua busca pela felicidade. A partir disso, infere-se que, quando os autistas encontram embargos na sua inclusão, toda sua trajetória social pode ser afetada. De acordo com a ONG Autismo e Realidade, durante a primeira idade, o contato com outras crianças e o trabalho de educadores especializados podem minimizar os aspectos da doença, mas, quando isso não acontece, os mesmos aspectos podem ser potencializados, como a possibilidade de a criança se tornar ainda mais isolada e, na vida adulta, não conseguir seguir uma profissão ou ter um relacionamento afetivo.

Logo, cabe ao Estado criar um programa de qualificação de profissionais de educação que atue por meio de treinamentos, palestras e orientações sobre como proceder com alunos autistas. Essa qualificação deverá atender docentes de escolas públicas e particulares, a fim de que todas as escolas estejam preparadas para receber esses alunos. Concomitantemente, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve promover campanhas que informem sobre essa doença por meio de redes sociais, televisão e rádio, com o objetivo de atingir toda a população.