Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 12/08/2020
Shaun Murphy, protagonista da série “The good doctor”, é um jovem médico, portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Síndrome de Savant, que é subestimado com frequência por seus colegas de trabalho, ao mesmo tempo em que seus superiores duvidam de suas capacidades. Fora das telas, no Brasil, pessoas com TEA lutam diariamente para serem aceitas e se adaptarem aos meios de convivência social. Isso ocorre, sobretudo, devido à escassez de informações sobre a doença, o que estimula comportamentos preconceituosos por parte da população desinformada, além de tornar insuficientes as políticas públicas vigentes, especialmente em contextos educacionais.
Primeiramente, é importante ressaltar que, no Brasil, pouco se discute sobre a existência de grandes números de pessoas com TEA e suas diversas necessidades especiais. A ausência de conhecimento sobre tais especificidades, influi para a discriminação e/ou rejeição dos autistas, mormente em ambientes escolares. O fato de a Lei nº 12.764 – que dispõe sobre a proteção dos direitos de pessoas autistas brasileiras, dentre os quais a educação está inclusa – só ter sido aprovada no ano de 2012, sendo que o autismo foi mundialmente registrado há mais de setenta anos, corroboram a ignorância da nação brasileira sobre esse transtorno.
Outrossim, a insipiência sobre a incidência e a dificuldade de diagnóstico da doença no Brasil, interfere diretamente na eficiência das atuais políticas públicas. Percebe-se que, antes da recente sanção da lei que inclui informações sobre pessoas com TEA nos Censos Demográficos, pesquisas e projetos políticos eram realizados com base em dados estatísticos de outros países que poderiam não condizer com o cenário brasileiro. A imprecisão desses dados inviabilizaria, por exemplo, a adoção de planos pedagógicos específicos para a socialização dos autistas que poderiam ser implementados de acordo com a realidade de cada estado.
Infere-se, portanto, que a inclusão de pessoas portadoras de TEA na educação básica configura-se como um desafio para a população e seus governantes. Logo, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), junto às Secretarias Estaduais de Educação, promover ações que visem a inserção dos autistas nas escolas. Isso poderia ser feito por meio da elaboração – por parte de professores e psicólogos ou psicopedagogos – de metodologias de ensino adaptadas ao aluno portador de TEA, unida a campanhas que trabalhem a socialização entre crianças autistas e os demais alunos. Dessa forma, garante-se que problemas como os enfrentados por Shaun Murphy não se repitam nas gerações futuras da nação.