Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 12/08/2020
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando observa- se as dificuldades enfrentadas pelas pessoas autistas, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de empatia do corpo social, seja pela ausência de políticas públicas sustentáveis. Nesse sentindo, convém a análise das principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
A priori, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do impasse. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de sensibilidade da sociedade para lidar com a inclusão de pessoas que possuem o (TEA) transtorno de espectro autista rompe essa harmonia, haja visto a Autism Speaks, organização dedicada a promover soluções para pessoas com o espectro, em pesquisa realizada em 2014, estima que existam 70 milhões de pessoas com autismo no mundo, sendo que 2 milhões delas estão no Brasil. 85% dos adultos com autismo estão desempregados. Logo, o atual panorama contribui significativamente para o aumento da exclusão de indivíduos que apresentam a deficiência, sendo a conjuntura de emprego como foi visto na pesquisa da Austism Speaks, a área mais afetada.
A posteriori, destaca-se a carência de políticas públicas como impulsionador do problema. De acordo com o sociólogo Durkheim, o fato social é uma maneira de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que a temática em questão está imersa em um fato social, visto que a desvalorização do portador de necessidades especiais no campo de trabalho, já citado no parágrafo anterior, é consequência da escassa ação governamental que deveria viabilizar o mercado de trabalho para a inserção da sociedade portadora do espectro.
Portanto, é crucial que medidas sejam tomadas para mitigar esse quadro caótico. É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Governo Federal responsável pela criação de políticas públicas nacionais e abrangentes, por meio de subsídios, deve fortalecer leis visando a introdução deles no mercado de trabalho com a finalidade de garantir um Brasil mais igualitário. Para que o ideal iluminista se concretize na contemporaneidade.