Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 17/08/2020

Na Grécia Antiga, as crianças que nasciam com algum tipo de deficiência eram rejeitadas e mortas. De modo atual, no Brasil, inúmeros indivíduos com autismo ainda sofrem rejeição na busca pela convivência social. Nesse contexto, não há dúvidas de que ainda existem muitas barreiras para inclusão dessas pessoas, tais como a discriminação e a falta de representatividade na busca por melhorias.

A priori, de acordo com Montaigne, a sociedade condena aquilo que é estranho, algo fora dos padrões. Dessa forma, indivíduos com transtorno do espectro autista ainda sofrem com o preconceito das pessoas por serem diferentes, sendo, muitas vezes, discriminados e segregadas do convívio social, fato que dificulta ainda mais a interação dos mesmos na sociedade.

Além disso, vale ressaltar que, segundo Nick Couldry, a discriminação gera uma desigualdade da fala, fazendo com que essas minorias deixem de ocupar o espaço público com suas vozes. Dessa maneira, a discriminação resulta na falta de indivíduos para pedir melhorias nas formas de inclusão, o que abre lugar para uma negligência estatal, visto que, em conformidade com Newton, “Um corpo tende a permanecer em seu estado inicial até que uma força o faça mudar”. Logo, o Estado, sem pessoas pra pressioná-lo, permanece sem medir esforços para incluir esses indivíduos na sociedade.

É inegável, portanto, a necessidade de transpor as barreiras da inclusão social de autistas no Brasil. Desse modo, cabe ao Governo, em parceria com o Ministério da Educação e a mídia, incrementar o currículo escolar com o assunto, bem como divulgar nos meios de comunicação informações sobre, por meio de palestras, aulas e propagandas, a fim de mostrar à população que a diversidade é normal e que deve ser aceita, assim como permitir que as vozes da minoria sejam escutadas. Assim sendo, o mundo contemporâneo se livrará de seus costumes da Antiguidade.