Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 04/09/2020

A Teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada por Hitler como base do nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa perspectiva, haveriam seres humanos superiores, a depender de suas características genéticas. No contexto brasileiro atual, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida na demora da inclusão do autismo na sociedade, cuja base é uma forte discriminação. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para reverter essa situação, que possui como causas: insuficiência da legislação e silenciamento.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a falha legislativa presente na questão. A Constituição Federal 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade da população e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere a inserção de autistas no meio social, uma vez que a rejeição à pessoas com transtornos autistas continua atuando fortemente na atualidade do Brasil. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.

Outrossim, o silenciamento ainda é uma grande adversidade para a resolução da problemática. O filósofo Foucault defende que, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Desse modo, percebe-se uma lacuna no que tange ao debate acerca do autismo no Brasil, que tem sido silenciado. Dessa maneira, sem diálogo sério e massivo sobre essa questão, sua resolução é impedida.

É evidente, portanto, que tais entraves necessitam ser erradicados. é necessário que o Ministério da Cultura, em parceria com mídias de grande acesso, promova uma rede de propagandas e campanhas sobre a inclusão aos autistas, a fim de destacar a importância da diversidade e divulgar canais de denúncias para casos de discriminação. Tais propagandas poderiam circular em paradas de ônibus, assim como em canais de televisão, para atingir grande parte do corpo social brasileiro e romper com a mentalidade eugênica. A partir dessas ações, os reflexos da Eugenia permanecerão nos livros de história, distantes da realidade brasileira.