Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 29/09/2020
A série estadunidense “The Good Doctor”, lançada em 2017, aborda a história de um jovem médico brilhante, chamado Shaun Murphy, portador de autismo que precisa provar sua capacidade a seus colegas e superiores. Essa obra evidencia a situação a qual o autista enfrenta a todo momento para tentar ser incluído na sociedade. No entanto, no Brasil hodierno, questões como o preconceito, atrelado à desinformação, e a falta de qualificação adequada dos profissionais da educação inviabilizam a inclusão dessas pessoas.
Em primeiro plano, a ausência de informação acerca do autismo corrobora a exclusão desses indivíduos. A esse respeito, de acordo com dados da Universidade de São Paulo em 2018, apenas em 1993 o autismo foi englobado na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde. Ocorre que esse fato, ligado ao baixo avanço científico na detecção e tratamento da doença, reforça a alienação sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em vista disso, tal desconhecimento leva ao preconceito e à discriminação, inviabilizando a inserção desses indivíduos em qualquer âmbito social. Assim, enquanto a criação de mecanismos que objetivem a informação não for a regra, a inclusão desses cidadãos será a exceção.
De outra parte, a carência de um corpo docente capacitado nas instituições de ensino é um dos entraves para a educação e socialização das crianças autistas. Sob essa ótica, segundo Aristóteles, o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para a realização pessoal e busca pela eudaimonia - estado de felicidade plena. Nesse contexto, a inclusão de pessoas com TEA desde a infância e a oferta de um ensino qualificado para recebê-los são mecanismos fundamentais para a garantia do bem-estar, além de possibilitar a minimização dos efeitos da patologia. Dessa forma, não é razoável que a falta de preparo das escolas afete a qualidade de vida dos autistas.
Urge, portanto, medidas as quais possibilitem a maior integração de pessoas portadoras de TEA na esfera social. Dessa maneira, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia governamental, deve fomentar campanhas aprofundadas acerca do autismo, por meio das redes sociais e da TV, com a participação de psicólogos e psiquiatras, a fim de informar o maior público possível sobre essa doença tão desconhecida. Ademais, o Ministério da Educação precisa, juntamente com as escolas, realizar a capacitação do corpo docente, mediante palestras, treinamentos e orientações sobre como proceder com alunos portadores desse transtorno. Essas iniciativas teriam a finalidade de promover a inclusão, erradicar o preconceito e ainda garantir o conhecimento em relação ao assunto. Dessarte, o Brasil proporcionará a inserção eficaz de indivíduos extraordinários como o Dr. Murphy.