Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 22/09/2020
Desde 1993, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado pela Organização Mundial da Saúde como uma síndrome mental definida por sintomas como o atraso cognitivo, o afeto excessivo e a dificuldade de socialização. No Brasil, infelizmente, a exclusão e a inferiorização de portadores de TEA são amplamente frequentes. Nesse sentido, a adaptação de autistas à comunidade é um desafio que apresenta entraves, tanto no âmbito escolar, a partir de instituições inacessíveis, quanto no âmbito social, com a delimitação do mercado de trabalho.
Em primeira instância, cabe ressaltar o viés excludente dos colégios públicos brasileiros, os quais são desprovidas de acompanhantes especializados na instrução de alunos autistas. Desse modo, a falta desses profissionais, que auxiliam as crianças especiais em atividades de raciocínio lógico, de leitura e de socialização com colegas, colabora com a persistência do ideal inferiorizante de que autistas são incapazes de adquirir conhecimento e ter sucesso profissional, algo que Susan Boyle - cantora escocesa portadora do TEA -, por exemplo, mostrou ser falso. Em síntese, as escolas públicas não possuem preparo para acolher alunos com autismo, dificultando a inclusão, rebaixando e impossibilitando o desenvolvimento dessas pessoas.
Ademais, o processo exclusivo de pessoas autistas não se detém no ambiente escolar, expandindo-se ao mercado de trabalho. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 85% dos adultos portadores do TEA estão fora do mercado de trabalho, isto é, as empresas permanecem numa ideia exígua e discriminatória de que possuir esse transtorno mental é sinal de desqualificação, inabilidade e incompetência profissional. Logo, esse preconceito no ramo trabalhista, em conjunto com a inacessibilidade de ensino, colabora com o agravamento da doença, podendo levar pessoas autistas a desenvolver pânico social e depressão, além de sentimentos de insuficiência e de solidão.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas para incluir portadores do TEA à sociedade brasileira. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com instituições privadas de ensino, sancionar uma lei que exija a existência de pelo menos dois profissionais destinados à instrução e ao cuidado de autistas em todas as escolas do Brasil. Outrossim, os meios midiáticos de comunicação devem promover publicidades divulgando dados e características desse transtorno, para que assim, por meio da existência de acompanhantes especializados, nos colégios, e de propagandas que abordem os autistas como seres humanos capacitados e dignos de igualdades, haja a plena inclusão dessas pessoas no âmbito escolar e no mercado de trabalho.