Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 12/11/2020
A série Atypical, original Netflix, retrata a vida de Sam, um garoto de 18 anos com síndrome de Asperger (autismo no grau leve) que, mesmo com a doença, não sofre rejeição da família e dos amigos, frequenta a escola, vai ao psicólogo e possui um emprego. Contudo, a produção representa somente 20% dos autistas, comprovando que a realidade desses indivíduos é completamente diferente. Dessa forma, a carência de infraestrutura na área da educação e da saúde, apropriadas para recebê-los, e a política higienista dentro das escolas e no trabalho são desafios encontrados ao tentar incluir os autistas na sociedade.
Primeiramente, é evidente que as pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) não são incluídas nas políticas públicas. Nesse sentido, escolas e hospitais não são treinados e estruturados para receber esses indivíduos. Tal equiparação deveria ser custeada pelo governo, já que segundo consta na Lei Berenice Piana, de 2012, todo autista tem direito a diagnóstico, tratamento, acesso a educação proteção e trabalho. Apesar disso, as instituições governamentais ainda agem com descaso se tratando dessa situação e deixam as famílias a mercê, sem nenhuma assistência de como deveriam lidar com casos TEA.
Outrossim, os autistas são vítimas de preconceito dentro do âmbito escolar e do trabalho em razão da falta de informação que essas organizações possuem com relação a doença. Assim, reagem ao desconhecido negativamente, rejeitando-o. Esse fato pode ser exemplificado a partir do dado do IBGE, que aponta que 85% dos indivíduos brasileiros com TEA estão forá do mercado de trabalho. Em vista disso, ONGs, como a Specialistener, responsável por promover a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho, são urgentemente necessárias.
Portanto, é dever do Governo Federal, por meio de subsídios direcionados a capacitação de ambientes para receber autistas, garantir o acesso deles nas escolas, nos meios hospitalares e nas demais organizações, a fim de que usufruam dos mesmos direitos que um cidadão que não possui a doença, conforme assegura a Constituição Federal. Assim, realidades como a de Sam serão constantes no Brasil.