Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 29/09/2020
A série norte-americana, “The Good Doctor”, exibida pela plataforma Globo Play, retrata a história de Shaun Murphy, um jovem autista, o qual com o devido apoio ultrapassa inúmeras barreiras para alcançar seu sonho de se tornar um médico bem sucedido. Fora das telas, entretanto, muitas pessoas diagnosticadas com autismo enfrentam desafios durante o processo inclusivo sem o auxílio adequado, culminando em problemas na formação destes indivíduos. Assim sendo, é preciso compreender as causas que dificultam essa inclusão e quais suas consequências na vida desses brasileiros.
Em primeiro momento, faz-se necessário entender o que caracteriza essa síndrome. Segundo a Organização Mundial de Saúde, OMS, esse transtorno pode ser definido como “uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem”. Dessa forma, pessoas com esse espectro se tornam suscetíveis a serem estigmatizadas, como dito pelo sociólogo Erving Goffman, por não se encaixarem no padrão vigente. Assim, o bullying, muitas vezes, realizado com crianças autistas danifica seu processo de inclusão na sociedade de forma permanente, afetando suas relações pessoais quando jovens e adultos.
Ademais, a negligência estatal com esses indivíduos é outro fator que corrobora para a exclusão destes na sociedade. A falta de profissionais especializados para o acompanhamento de crianças e jovens no ambiente escolar e a ausência de programas que incentivem sua participação no mercado de trabalho, fortalecem um ideal no qual esses cidadãos são marginalizados, contrariando o proposto de igualdade para todos, tal qual previsto no Art. 5 da Constituição. Nesse cenário, essa realidade intensifica um sentimento de inferioridade e insegurança, tornando-se propício o aparecimento de psicopatologias como transtornos ansiosos e crises depressivas, devido à dificuldade de aceitação, e que podem levar até mesmo ao suicídio.
Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que solucionem essa problemática. Portanto, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Educação, estimular a inclusão de pessoas autistas desde sua fase inicial, contratando profissionais especializados para o acompanhamento dessas crianças e jovens, realizando palestras e distribuindo cartilhas que ensinem sobre esse transtorno, a fim de atenuar as disparidades no desenvolvimento educacional e promover um ambiente livre de preconceitos. Outrossim, cabe ao Ministério Público a elaboração de políticas de incentivo que aumentem a inclusão em empresas, através da promulgação de leis, as quais designem vagas públicas exclusivas para esses indivíduos, com o fito de atenuar as diferenças no mercado de trabalho. Somente assim, aparecerão cada vez mais versões de Shaun Murphy na sociedade brasileira.