Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 04/10/2020

Na obra “O Grito”, do norueguês Edvard Munch, o personagem parece demonstrar extremo desconforto diante do desconhecido. Fora da arte, essa representação vai de encontro à ausência de estranhamento social perante à não inclusão de autistas no Brasil. Nesse sentido, observa-se que dois dos principais desafios para a inserção das pessoas com essa síndrome são a formação familiar e a invisibilidade midiática.

Deve-se analisar, de início, que a má-formação parental configura-se como um grave empecilho no que tange a questão. Segundo Talcott Parson, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Nesse viés, se a criança é criada em um ambiente preconceituoso frente à pessoas autistas ela estará propícia a reproduzir tais atos violentos prejudicando, assim, a introdução destes.

Além disso, outro desafio enfrentado é a invisibilidade midiática dos autistas. Isso ocorre porque a mídia por interesse puramente mercadológico invisibiliza a problemática vivenciada pelos autistas em sua programação, por preferirem dinheiro à melhora na integração dessa parcela da população. Conforme a frase do sociólogo Zygmunt Bauman, “na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, visto que o apagamento midiático dos autistas solidifica sua morte e exclusão social.

Logo, é mister que providências sejam tomadas. Portanto, urge que o Poder Legislativo, juntamente com o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) criem uma lei que obrigue os meios de comunicação a debaterem sobre a inclusão de autistas no Brasil, por meio de verbas governamentais, com o intuito de alterar esse cenário caótico. Esses debates poderão contar com a presença de especialistas no assunto e também com pessoas com essa síndrome. Dessa forma, a reação do personagem da obra, de Edvard Munch, representará a sociedade diante da não inclusão de autistas no corpo social e, desse modo, ela mudará sua conduta e lutará para incluí-los.