Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 07/10/2020

Na Antiguidade Clássica, a cidade de Esparta caracterizava-se por uma cultura exclusiva, na qual os recém nascidos com qualquer tipo de deficiência eram assassinados, já que não eram considerados aptos para viver naquela sociedade. Nessa óptica, o Brasil converge com a escola grega, promovendo a exclusão dos autistas na sociedade. Dessa maneira, os aspectos que amplificam a problemática são a negligência governamental e o preconceito social enraizado.

Em primeiro lugar, cabe a análise do descaso por parte do Estado para com os deficientes. Segundo a Constituição de 88, o Estado não discrimina o acesso à cidadania de nenhum grupo social, contrário a esse ideal os autistas têm sido deixados de lado na sociedade. Como exemplo dessa omissão, vale ressaltar a falta de adequação e preparo das escolas e instituições sociais, que de acordo com a teoria “Espaço Público” de Hannah Arendt deveriam ser totalmente inclusivas para exercerem sua total funcionalidade e genuinidade e assim recebe-los adequadamente. Assim, a democracia, que preza pelos “direitos iguais à todos”, deixa de ser exercida.

Outrossim, é necessário enfatizar o preconceito social que se intensifica cada vez mais. De acordo com Voltaire “o preconceito é opinião sem conhecimento”, séculos se passaram e a frase continua fazendo sentido, já que a intolerância por parte dos indivíduos é feita a partir da falta de alteridade, a qual pressupõe que todo ser humano é interdependente um do outro. Dessa forma, a discriminação acontece constantemente e por mais que exista o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, determinado pela ONU como 2 de Abril, poucas pessoas realmente entendem do que essa síndrome se trata e como lidar com os deficientes.

Evidencia-se, portanto, a falta de preparo da sociedade e do Estado para lidar com os autistas. Por isso, faz-se necessária a união do Ministério da Cidadania, que tem como função a formulação e coordenação de políticas de inclusão social, com o Ministério da Educação para que promovam doutrinas, que terão como objetivo o preparo de escolas e ambientes públicos para receberem  autistas, por meio de placas informativas e pessoas com preparo adequado para atende-los. Além disso, cabe aos agentes midiáticos noticiar e reportar mais sobre o que é essa síndrome e como lidar com pessoas que a detém, por meio de propagandas e reportagens, para que promovam conscientização dos indivíduos. E então, alcançar a verdadeira democracia, incluindo os autistas na sociedade.