Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 07/10/2020
Segundo sua obra “O Pequeno Príncipe”, o renomado escritor Antoine de Saint-Exupéry afirma que cada um é o único responsável por todos. Nesse prisma, tal epígrafe transcende as páginas do exemplar, uma vez que o estado de anomia é visto como uma mazela social na contemporaneidade e apresenta-se cada vez mais recorrente quando se trata da falta de inclusão dos autistas na sociedade brasileira. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão do silenciamento do tema, como também da falta de profissionais qualificados, tornando-se evidente a necessidade de discutir as causas e consequências da problemática.
Em primeira análise, de acordo com Foucault, na sociedade hodierna muitos assuntos são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nessa perspectiva, pouco se aborda a respeito do autismo para que a sociedade não reconheça a problemática comportamental que tende a ascender e intensificar os efeitos sociais de tais grupo. Consequentemente, as pessoas não têm muitas informações sobre o transtorno e são preconceituosas, formando-se uma grande exclusão social com esse grupo. Destarte, é indispensável que haja mudanças para o bem-estar populacional.
Ademais, conforme o capítulo V da Lei de Diretrizes da Educação Nacional (LBD), o ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei, mas menos de 30% dos brasileiros autistas estão na escola. Nesse viés, é notável que o sistema educacional brasileiro apresenta matrizes curriculares falidas, o que gera uma segregação com os que não se encaixam no padrão. Em decorrência, os portadores da síndrome desenvolvem dificuldades de envolvimento social e de aquisição de habilidades de comunicação. Sob tal ótica, o quadro desrespeita princípios importantes da vida social e precisa mudar.
Em suma, é preciso de medidas que atenuem os desafios da inclusão dos autistas na sociedade. Com o intuito de amenizar a controvérsia, urge que o Poder Executivo - responsável por governar o povo e administrar os interesses públicos - financie pesquisas sobre a síndrome discutida por profissionais da área pediátrica, por meio de bolsas de estudo, moradia e material de pesquisa, para que exista uma série de descobertas sobre o problema comportamental. Além disso, o Ministério da Educação - como instância máxima da administração dos aspectos educacionais no Brasil - deve adicionar o assunto sobre doenças mentais, síndromes e transtornos psicológicos presentes na sociedade à grade curricular de escolas públicas, por meio de material didático em livros ou apostilas e palestras para todas as idades, a fim que os autistas sejam incluídos no corpo social. Assim, o país se distancia da obra de Antoine de Saint-Exupéry.