Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 13/10/2020
Na obra ficcional “The Good Doctor”, o protagonista é um médico com Transtorno do Espectro Autista(TEA) que enfrenta inúmeros desafios devido a sua condição. Fora do seriado, a realidade não é muito distinta, uma vez que a falta de interesse nos indivíduos com distúrbios intelectuais, como o autismo, acontece em diversas sociedades, incluindo a brasileira. Devido a isso, essa comunidade sofre vários obstáculos ao tentar inserir-se na sociedade, como o preconceito e a ineficácia de políticas públicas.
Em primeira análise, de acordo com o historiador brasileiro Gilberto Freyre, em sua obra “Casa Grande e Senzala”, o comportamento padrão está enraizado desde o início da formação da identidade nacional. Dessa forma, os indivíduos contemporâneos que são considerados diferentes são vistos com repulsa. Entretanto, isso ocorre porquanto não há informações acerca do TEA, contribuindo para a ignorância da sociedade, e por conseguinte a exclusão do portador do espectro autista.Outrossim, é necessário compreender que, devido a falta de conhecimento acerca desse distúrbio comportamental, a família também possui dificuldades de adaptar-se ao autista, aumentando ainda mais as adversidades por eles sofridas.Diante disso, cabe ao Governo mudar essa realidade.
Em segunda análise, é pertinente afirmar que houve uma quebra do contrato social escrita pelos filósofos contratualistas, posto que foi entregue ao Estado o dever de garantir o bem-estar a toda a sociedade. Contudo, o Governo é um dos principais contribuintes para a falta de inclusão dos indivíduos com transtornos neuropsiquiátricos, visto que foi sancionada uma lei em 2019 que trata de inclusão de informações específicas sobre pessoas com autismo nos censos demográficos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), porém ainda não existem dados oficiais sobre autistas no Brasil.
Fica evidente, portanto, que os portadores do Espectro Autistas enfrentam diversos obstáculos. Desse modo, é papel do Estado por meio de investimentos ao Ministério da educação em conjunto com o Ministério da Saúde, criar cartilhas que expliquem o TEA e suas particularidades, para que a sociedade aprenda a lidar com esse transtorno, a fim de diminuir o preconceito e aumentar sua integração. Ademais, cabe também à esses órgãos governamentais garantir o acompanhamento especializado para autistas, ou seja, as escolas devem contratar especialistas em Transtorno do Espectro Autista, com o intuito de incluí-los à comunidade desde pequenos. Dessa maneira, a sociedade brasileira estará mais perto de mudar a realidade exposta por Gilberto Freyre em Casa Grande e Senzala.