Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 27/10/2020
Na Grécia Antiga, em Esparta, as crianças que nasciam com alguma deficiência eram mortas, pois eram consideradas inaptas para guerrear futuramente. No que tange ao período atual, tal exclusão também é vista na realidade brasileira, uma vez que o processo de inclusão de pessoas autistas na sociedade tem muitas falhas, seja pelo olhar social preconceituoso, seja pela inobservância estatal para pessoas com esse espectro. Logo, medidas sociais e jurídicas são necessárias para amenizar esse impasse.
Nessa perspectiva, é válido destacar o corpo social como catalisador dessa problemática. Isso porque, hoje me dia os indivíduos portadores do espectro autista são vistos erroneamente como incapazes, assim como ocorre na série “The Good Doctor” em que o Dr. Shaun Murphy, um cirurgião residente que possui autismo, sofre preconceito por alguns de seus colegas de trabalho e tem um árduo processo de adaptação. Fora da ficção, percebe-se que assim como o personagem Shaun, outras pessoas também passam por isso, visto que os indivíduos possuem uma visão social errônea que os portadores do espectro autista são incapazes de exercer atividades, mas assim como todos, eles só precisam do treinamento correto dentro das suas limitações. Desse modo, incluir os autistas no meio social rompe com os estigmas impregnados sobre essa falsa incapacidade que eles possuem. Cabe analisar, também, o desamparo que os autistas vivem em todos os âmbitos. Nesse sentido, consta no artigo 6º da Constituição Federal de 1988 que todos tem direito a educação e os desamparados devem ter a devida assistência. No entanto, o que ocorre é algo oposto a isso, visto que as pessoas com TEA são desamparadas pelo Poder Público, ainda que essa condição seja mais comum que doenças como câncer e a aids, no que tange a educação e mercado de trabalho. Dessa maneira, a falta de oportunidades para pessoas com espectro autista reflete um olhar preconceituoso e ocorre a pluralização das diferenças.
Depreende-se, portanto, que a inclusão autista no Brasil ainda possui algumas barreiras. para tanto, cabe á mídia, como maior formador de opinião pública, gerar reflexão sobre a inclusão de pessoas autistas, por meio de propagandas televisivas e anúncios em redes sociais, com o fito de obter uma maior inclusão e empatia de todos os setores, seja ele educacional ou profissional. Ademais, é papel do Poder Legislativo, acolher pessoas com espectro autista, por meio da melhoria de leis para uma melhor inclusão, seja nas escolas, seja por meio da ampliação de vagas nas diversas empresas, a fim de haver uma sociedade mais homogênea. Desse modo, haverá uma realidade melhor e uma nação mais completa, oposta á Esparta.