Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 02/12/2020
O personagem Brás Cubas, apaixonado por uma mulher “coxa”, negou-se o casamento pelo preconceito em relação à deficiência de sua amada. Machado de Assis escreveu o romance há um pouco mais de 100 anos e essa antipatia continua enraizada na cultura brasileira e, por conta disso, pessoas com autismo são excluídas da sociedade, seja pelo preconceito, seja pela desinformação.
Em primeiro plano, o preconceito existente gera a exclusão cidadã do autista, desde o simples ato de matricular uma criança autista em uma escola, até a não participação nos exercícios da cidadania; por exemplo, em dezembro de 2020, foi suspenso o decreto que incentivava a participação de crianças deficientes nas escolas pois elas deveriam estudarem escolas especiais, o que vai de encontro com o projeto de inclusão dos autistas na sociedade uma vez que quando uma criança não participa da educação básica comum, ela terá dificuldades de participar da cidadania.
Em segundo plano, a era da desinformação também exclui o autista da sociedade pois as pessoas não sabem a dificuldade do autista em socializarem-se (já são excluídos das escolas), e também não incluem esses deficientes nos direitos básicos do cidadão nem nos sensos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, ou seja, os autistas são excluídos da sociedade.
É necessário incluir os autistas na sociedade. Para isso, é dever de todas as pessoas criar e participar de políticas públicas com debates entre especialistas e civis, campanhas de alerta para evitar a discriminação desses deficientes e para incluí-los na participação das escolas e da sociedade. Cabe ao ministério da saúde, a implementação de campanhas para o diagnóstico precoce do autismo; essas deverão acontecer anualmente, com consultas em todas as crianças e fim de iniciar o tratamento para a maior eficiência dele. Assim, os “Brás Cubas” modernos poderão apaixonar-se sem ter preconceito de seus amados deficientes.