Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 26/10/2020

A série “Atypical”, produzida pela Netflix, conta a história de Sam, autista de alto funcionamento que encontra problemas para namorar, conviver com seus pares no colégio e lidar com sua família. No Brasil hodierno, por sua vez, 2 milhões de pessoas fazem parte do espectro autista, assim como Sam, e encontram problemas no que tange à inclusão. Neste contexto, fatores como a falta de informação e falta de tratamento do tema “autismo” no ambiente escolar formam um quadro nacional que precisa ser modificado.

Primeiramente, destaca-se a falta de informação na sociedade acerca do autismo. Pouco se sabe que, segundo o CID F84 (Compartimento do autismo na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde), há três níveis dentro do espectro: o nível um de suporte,que inclui os autistas leves e os que possuem a síndrome de asperger, o nível dois de suporte, e o nível três, onde se encontram os autistas severos. Em virtude da falta de conhecimento, acaba se gerando preconceito e discriminação e, em consequência, tem-se a dificuldade de inserir o autista na sociedade.

Outro fator preponderante aponta para a falta de discussão sobre o autismo no âmbito escolar. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob esta lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que se refere à inclusão dos autistas no Brasil, verifica-se uma forte influência desta causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu dever no sentido de reverter exclusões e preveni-las, visto que não tem trazido este problema para sala de aula.

A sociedade brasileira, portanto, encontra na falta de informação e na falta de tratamento do tema nas escolas, dois fatores problemáticos para a inclusão dos autistas no Brasil. A fim de se minimizar este cenário, deve o Governo, por meio do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, propor o proeto “Conhecendo o espectro autista”, o qual consistiria em debates nas escolas sobre o transtorno do espectro autista. Tais eventos  poderão ocorrer no período de contraturno, contando com a presença de professores e especialistas no assunto. Além disso, esses eventos devem ser abertos “comunidade, a fim de que mais pessoas possam compreender a importância da inclusão do autista e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções.