Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 03/12/2020
No livro “A metamorfose” de Franz Kakfa, o protagonista é transformado em um inseto gigante e, por conta disso, sofre com desamparo e falta de inclusão. Análogo à situação do personagem, infelizmente, é a condição de pessoas com autismo no Brasil, visto que enfrentam desafios para serem inclusos, devido a uma circunstância mental que diverge das demais pessoas. Entre esses impasses podem ser citados, a demora para serem desenvolvidos programas auxiliadores e a carência de suporte para os autistas e suas famílias, além da escassez de engajamento na sociedade desde a infância até a fase adulta. Sendo, portanto, necessária a implantação de propostas solucionadoras, a fim de que essas pessoas não passem pelas mesmas difculdades da personagem da obra alemã.
Em primeiro lugar, destaca-se o atraso e a necessidade de apoio para pais e responsáveis de crianças que se adequam ao espectro autista. Exemplo disso se dá pelo fato de só no ano de 2012 terem sancionado uma lei garantidora de suporte à educação e à saúde gratuitos para essa parcela do povo, mesmo com o autismo listado na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde desde 1993. Tal contexto é vergonhoso, já que o país é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e não deveria ter deixado por tanto tempo pessoas sem condições financeiras e informacionais lidarem por conta própria com um mal ou nenhum tratamento especial para esses jovens. Assim, expõe-se a precisão de mudanças, para que esses cidadãos possam se desenvolver de forma digna.
Em segundo lugar, salienta-se a dificuldade de incluir socialmente os autistas no sistema de ensino e, consequentemente, no mercado de trabalho. Boa demonstração disso acontece, pois, mesmo com a lei que provem auxílio aos deficientes, muitos têm suas matrículas rejeitadas pelas escolas, o que gera preconceito e falta de empatia daqueles que não são portadores, por não normalizarem a convivência com os que a possuem. Esse infortúnio torna-se ainda pior, porque o Brasil cobra de forma igualitária altos impostos, porém não permite que todos tenham acesso à educação independente de sua condição mental. Então, torna-se importante modificações que visem maior inclusão e desenvolvimento dos estudantes com a condição mental.
Em suma, cabe ao Ministério da Saúde e ao da Educação e Cultura investir em programas educadores e auxiliadores, por meio de palestras em escolas, unidades básicas de saúde e empresas, realizadas por terapeutas especializados no assunto. Nesse projeto, devem ensinar aos adultos e aos jovens quais são os traços do autismo e como identificá-los, com o intuito de facilitar a inclusão, para que, assim, os autistas não tenham que enfrentar os mesmos problemas do personagem de Kafka.