Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 28/10/2020
A séria televisiva “The Good Doctor” acompanha a trajetória de Shaun Murphy, um residente de cirurgia, que possui autismo e, infelizmente, sofre constantemente preconceito de seus colegas de trabalho e luta para permanecer em seu emprego. Fora da ficção, é notória a falta de inclusão de pessoas do espectro autista na sociedade brasileira. Nesse sentido, torna-se premente analisar as principais causas dessa problemática: a negligência governamental e a precária participação das escolas.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o supracitado. Sob esse viés, segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da sociedade, entretanto, essa não é a realidade no Brasil. Tal fato ocorre pela falta de políticas de inclusão, por exemplo, conscientizar a população sobre as características individuais dos autistas e, consequentemente, ensinar como agir com essa parcela da comunidade. Nessa perspectiva, a falta de investimento do país em campanhas de inclusão prejudica a vida social de indivíduos com a síndrome, uma vez que não possuem facilidade para se socializar e, concomitantemente, podem se sentir deslocados e excluídos.
Outrossim, a precária participação das escolas afeta diretamente a vida social do autista e corrobora a exclusão dessa parcela da comunidade. De acordo com a Lei Berenice Piana, é direito do portador de necessidades especiais o acesso à educação e ao ensino profissionalizante. Entretanto, isso não ocorre com êxito, uma vez que nem todas as escolas brasileiras possuem profissionais qualificados para ensinar pessoas com espectro autista. Logo, o ato de ir a escola se torna apenas uma “obrigação” e a criança pode não participar ativamente das tarefas escolares. Assim, pela falta de preparo dessas instituições, os cidadãos com tal transtorno sofrem muito preconceito dentro das escolas.
Em suma os desafios da inclusão de autistas no Brasil foram comprovados e devem ser mitigados. Urge ao Governo federal, como instância máxima da administração executiva, em parceria com a mídia, deve, por meio de um projeto social, elaborar uma propaganda educacional, com o fito de ensinar sobre a síndrome para os cidadãos. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve contratar profissionais que saibam lidar com crianças especiais e ensinar os alunos como se comportar diante de seus colegas com esse espectro. Só assim, pode-se criar uma sociedade diferente da vista em “The Good Doctor”.