Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/11/2020

A obra literária Memórias Póstumas de Brás Cubas, criada pelo cronista e escritor Machado de Assis, retrata o cenário de discriminação de pessoas com deficiências, em que o personagem principal não se casa devido a deficiência que sua parceira tem. Fora da ficção, tal romance realista faz consonância com a realidade no Brasil contemporâneo, haja vista a exclusão social de pessoas com autismo. Desse modo, os desafios para a inclusão de pessoas com  Transtorno do Espectro Autista tem como pilares a desinformação e o preconceito social, bem como a ausência de formação adequada para os profissionais da educação.

Em primeira análise, vale pontuar que a falta de informação referente ao autismo é um dos fatores que potencializam a exclusão desse público e, consequentemente, o preconceito, uma vez que o desconhecido causa medo à sociedade e influência na restrição e indiferença ao autista. Ademais, o pouco conhecimento acerca dessa doença corrobora para a desinformação, e por conseguinte, marginalização e discriminação. Além disso, apenas em 1993 o autismo foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, segundo dados da USP em 2018, fato que contribuí para a ausência de informação. Dessa maneira, é imprescindível a presença de modos informativos referente a essa deficiência, para assim possibilitar a inclusão desses indivíduos.

Em segunda análise, existe na sociedade brasileira o descaso na educação para os autistas, haja vista o despreparo das instituições de ensino e de seus profissionais em relação aos métodos educativos para esses cidadãos. Nesse sentido, consoante Aristóteles o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para a sua realização pessoal e busca pela felicidade. Dessa forma, é necessário que o autista tenha a experiência na sociedade para alcançar sua “realização”, citada pelo filósofo, e desse modo seu bem-estar. Portanto, é fundamental que as escolas e profissionais da educação acolham e eduquem, adequadamente, os autistas, visando a introdução  desse público à sociedade.

Em virtude dos fatos mencionados, cabe as mídias, junto ao Ministério da Saúde, realizar correntes informativas, por meio de publicações, nas redes sociais e televisivas, esclarecedoras sobre o autismo, a fim de diminuir o preconceito e aumentar a inclusão dos autistas na sociedade. Além disso, urge que o governo, junto ao Ministério da Educação, desenvolvam projetos e cursos preparatórios para professores e profissionais da educação, mediante palestras e atividades, com a finalidade de adequar e instruir a educação brasileira, tornando-a apta para educar o público autista. Posto isso, será superado o preconceito e exclusão social anteriormente vistos na obra realista de Machado de Assis.