Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 10/11/2020
Em 1943, Leo Kanner descreveu, pela primeira vez, a respeito do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Posto isto, nos anos seguintes muito foi estudado sobre o assunto e são inegáveis os avanços. Todavia, esses foram insuficientes para estabelecer a prorrogativa garantida pela Constituição de 1988: o bem de todos os cidadãos, sem quaisquer formas de descriminação. De certo, isso ocorre em virtude das consequências de uma desinformação e da pouca visibilidade do TEA na sociedade brasileira.
A princípio, a frase do autor José Saramago, “Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara.”, induz uma reflexão acerca da inclusão dos autistas na sociedade. Porquanto, essa temática é pouco abordada, ou seja, pouco “vista” e, ainda assim, quando tratada é pautada por superficialidade. Assim, a alienação gerada sobre o assunto corrobora à solidificação de preconceitos e estereótipos, os quais perpetuam a cegueira causada pela discriminação. Dessa forma, é imprescindível a visibilidade do autismo no Brasil, com o fim de alcançar a inclusão do grupo supracitado.
Nesse viés, a desinformação sobre o TEA no Brasil é um mecanismo de opressão, tendo em vista que acarreta a exclusão social dos autistas e amplia a desigualdade. Ademais, até o ano de 2019 o Censo do IBGE não possuía estatísticas sobre o autismo, o que confirma o obscurantismo do conhecimento sobre a classe. Além disso, na série “The Good Doctor”, o Dr. Shaun - médico portador do TEA - confronta diariamente as dificuldades advindas da desinformação por parte da sociedade, além desmistificar estereótipos, ratificando sua competência.Logo, para dissipar a desigualdade urge a necessidade de informação.
Por fim, a visibilidade e o conhecimento são as chaves para estabelecer a inclusão social e uma sociedade igualitária. Para isso, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, através das mídias sociais, as quais possuem alto alcance, disseminem informações a respeito do TEA, além de campanhas de combate ao preconceito enraizado, com a finalidade de estabelecer o respeito às diferenças e, consequentemente, a inclusão social dos autistas no Brasil.