Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Em 1964, Mafalda - personagem fictício de Quino - criticou o comportamento humano contra as mazelas sociais, alegando viver em um mundo baseado na irresponsabilidade, seja no campo político, seja na área social. Talvez ela apontasse para a fragilidade do sistema público de educação, a qual, por falta de investimentos em programas educativos de estímulo à inclusão social dos autistas no Brasil, promove a discriminação. Assim, é necessário impulsionar uma maior reflexão acerca dos desafios enfrentados para solucionar essa problemática.
A princípio, vale ressaltar as causas da desigualdade vivenciada pelas pessoas portadoras de autismo. Nesse sentido, Mário de Andrade afirmava que o histórico mundial deve ser utilizado como mecanismo de reflexão e de aprendizagem, com vistas a permitir que a população evolua de maneira distinta ao passado. Esse pensamento pode ser utilizado para se referir ao contexto da Grécia Antiga, quando a sociedade, predominantemente militar, disseminava a ideia de que os deficientes intelectuais eram inúteis e, dessa forma, incapazes de obter igualdade política e social, a fim de marginalizá-los. Tendo em vista tais fatores, observa-se a construção de uma cultura que banaliza a exclusão do autista e o discrimina, pois não se adequa ao modelo de cidadão ideal estabelecido socialmente.
Além disso, é evidente que a influência do ensino no cultivo de uma ótica social mais consciente, em relação à inclusão de autistas, estabelece a base para o desenvolvimento de uma coletividade mais igualitária e menos discriminatória. Contudo, a ausência de investimentos pelo Ministério da Educação em palestras e em gincanas escolares devido ao controle de gastos públicos, ambas capazes de alertar a população sobre a importância de fornecer a igualdade à todos os indivíduos portadores de autismo, contribuem para a sua desvalorização. Considera-se essa situação algo grave, tendo em vista que a não socialização desse grupo vai em desencontro com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo objetivo é democratizar o acesso aos direitos civis por todos os brasileiros.
Depreende-se, portanto, que ações a favor da inclusão do autista na sociedade brasileira devem ser imediatamente inciadas. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino nacional, deve investir em eventos para estimular uma mudança comportamental dos habitantes sobre a exclusão dos autistas. Isso ocorrerá por meio da disponibilização de salas escolares para o surgimento dos ‘‘mutirões da conscientização’’, onde a comunidade poderá receber orientações sobre como minimizar a discriminação, a desigualdade e a marginalização dos autistas, com o objetivo de democratizar o acesso aos direitos por todos os cidadãos. Dessa forma, se busca construir um mundo com menos irresponsabilidade humana, cujo local Mafalda pudesse elogiar.