Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 24/11/2020
O alemão Max Weber, um dos principais teóricos da sociologia, no viés político dessa área, contribuiu com a Teoria da Dominação, que trata dos modos de poder existentes nas sociedades. A respeito da dominação legal, ocorrente por meio das leis e suas aplicações, é evidente um distanciamento de sua efetividade, sobretudo no que se refere às dificuldades enfrentadas na inclusão de pessoas autistas no Brasil. Essa problemática está sustentada por uma apatia governamental com a situação, além de uma deturpada perspectiva social a respeito do assunto.
Primeiramente, as atitudes dos governos Executivo, Legislativo e Judiciário devem ser questionadas. Inúmeros projetos que poderiam rever as intempéries contemporâneas vivenciadas pelos portadores do Transtorno do Espectro Autista, ainda titubeiam ora no papel, ora na execução e, com isso, a realidade desse grupo não muda. Pode-se comparar tal aspecto como uma “Bioquímica Social”, pois as pequenas partículas componentes de um corpo, quando não atuam adequadamente, podem adoecê-lo. O fato é tratar-se de órgãos vitais inteiros, os poderes da República, os braços, o cérebro e o coração do país que, juntos, são responsáveis pela saúde nacional e, portanto, devem resolver as questões relacionadas à garantia dos direitos das pessoas com autismo, facilitando, por exemplo, o acesso ao diagnóstico, remédios e atendimento especializado, que são essenciais à integração em sociedade.
Entretanto, esse imbróglio não se resume apenas à inconsequência dos poderes, mas também a uma ofuscada percepção da sociedade civil em relação àquilo de benevolente o qual deveria vivenciar. Tal vertente está relacionada a um capital cultural edificado sobre baixa ou dubitável escolarização, que estagna o processo evolutivo dos cidadãos. Dessarte, a formação humana é determinante para a “sucessão ecológica” das pessoas, ou seja, o progresso tem de ocorrer de modo a conseguir o máximo desenvolvimento possível. Nesse sentido, compromete essencialmente a ação dos indivíduos na busca por projetos capazes de oportunizar que todos tenham conhecimento sobre a Síndrome Autista, a fim de evitar comportamentos discriminatórios e contribuir para que todos possam exercer a cidadania e a participação política e social no país.
Portanto, para resolver-se o impasse, é preciso a unificação das forças dos governos e do povo. Para tanto, é fundamental um repaginar nos projetos governamentais, de modo que ações maiores e mais condensadas sejam empregadas a partir do redirecionamento de verbas e da contratação de profissionais especializados que possam atender autistas de forma eficiente, nos diversos meios. Além disso, as escolas e as entidades midiáticas podem sediar eventos e debates que, por meio dessas abordagens, tragam nitidez quanto importância da inclusão. Assim, será possível alcançar a sanidade.