Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 26/11/2020

A Lei 12.764 Art. 2o III afirma atendimento e atenção total à saúde do portador de autismo, focando no diagnóstico antecipado e acesso a profissionais da área e medicamentos necessários. Assim, observando a realidade brasileira, vê-se que essa lei não funciona na prática, já que milhares de pessoas autistas não são diagnosticadas apropriadamente e, quando diagnosticadas, sofrem grande exclusão social. Dado que a inclusão é falha, grandes motivadores da problemática são a falta de conhecimento geral da população e a falta de incentivo social aos autistas, fatores que necessitam de uma solução.

Primeiramente, a ignorância diante de tal assunto que atinge milhares de pessoas no país é enorme, o que auxilia na negligência e bullying sofridos pelos que possuem a síndrome, e isso logo culmina na marginalização social e autorepressão desses. Prova disso é o autismo feminino, que é pouco comentado e conhecido, pelo fato de que as mulheres tendem a mascarar suas características autistas para se encaixarem socialmente. Outrossim, o bullying mascarado, que vem a ser ou gerar consequentemente a exclusão é causada pela singularidade de algo fora do padrão, que é o autista, e gera imensa não aceitação. Um exemplo disso é o filme “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”, no qual o protagonista Newt Scamander possui o transtorno e vê-se a tentativa de fazê-lo entrar em um padrão no qual ele não pertence, e o fato de quase não possuir amigos na escola.

Em segunda análise, observa-se que, pelo fato de autistas serem popularmente conhecidos como “fechados” com outras pessoas, não há muito incentivo para eles poderem ser socialmente ativos, então prefere-se ignorar ao invés de encorajá-los, assim fazendo-os dependentes de outras pessoas para agirem no âmbito social. É possível notar tal fator na série sul-coreana “It’s okay not be okay”, na qual o protagonista possuidor do transtorno Sang-tae tinha grande habilidade artística, e com o apoio de amigos e familiares, conseguiu lutar para trabalhar profissionalmente com o que queria e conseguiu a independência própria; porém antes disso era dependente do irmão para tudo, o qual tratava-o como criança. Assim sendo, nota-se o quão prejudicial é tal comportamento e atitude diante da situação.

Portanto, é notório a necessidade de medidas atenuantes para essa questão. Por meio de maior inserção do autismo em séries e filmes para maior conhecimento e compreensão populacional, para a normalização desse, causando assim mais diagnósticos e também políticas e leis governamentais, na qual o Estado facilita empregos para os portadores da síndrome (que são normalmente rejeitados na área de trabalho), assim colaborando para a maior independência e inclusão social. Logo, assim a chance de maior inserção destes indivíduos no âmbito social brasileiro é consideravelmente melhor.