Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/12/2020
No desenrolar da série “The Good Doctor”, é retratada a história de um jovem que sofria diversas situações de preconceito por possuir o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Analogamente, a ficção não diverge do contexto hodierno, tendo em consideração os negativos desafios que portadores do autismo enfrentam para serem inclusos na sociedade brasileira. Nesse sentido, esse fator, que precisa ser eminentemente combatido, provém não só da omissão do Estado, mas também da falta de investimento na educação.
Primeiramente, convém avaliar a escassez de medidas governamentais que enfrentem os casos de discriminação com os autistas. Tal fato ocorre, pois, ainda que na Constituição Federal de 1988 seja imposto que nenhuma forma de preconceito é permitida perante a lei, a ausência de ações, como as campanhas, as quais retratem que todas as pessoas devem ser tratadas sem discriminação, impede que esse direito, na prática, seja devidamente assegurado. Nesse âmbito, nota-se uma quebra do Contrato Social proposto pelo filósofo Thomas Hobbes, o qual afirma que é dever do Estado manter a ordem e assegurar os direitos dos indivíduos. Contudo, verifica-se que o atual contexto se mostra distante da realidade proposta pelo pensador, tendo em vista que várias pessoas são preconceituosas com os autistas, principalmente no mercado trabalhístico, por considerarem eles sem competência para a realização de serviços, de forma a ocasionar nocivos sentimentos, como a incapacidade e inutilidade.
Ademais, é possível observar, também, a ausência de uma educação que fomente o respeito com o próximo. Tal feito acontece, porque, sem um ensino que valorize e reforce a educação social, as crianças tendem a não entenderem e a não respeitarem as diferenças dos indivíduos, por exemplo, ao excluírem os autistas nas brincadeiras escolares. Nesse âmbito, é válido ressaltar que, consoante o filósofo Immanuel Kant, os problemas sociais advêm da falta de investimento na educação. Desse modo, é importante analisar que o desconhecimento dos infantes sobre o quanto todos devem ser tratados de maneira igualitária pode ocasionar, infelizmente, não só a falta de inclusão dos portadores do TEA, como também, em uma dificuldade de socialização. Destarte, esses fatores são prejudiciais, uma vez que podem contribuir para a falta de amigos e para a solidão dos autistas. Portanto, medidas são necessárias para a resolução da problemática. Assim, compete ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos - responsável pelos direitos nessa área - promover debates, cujo tema, em detalhe, seria “todos juntos para combater preconceitos com os autistas”. Isso deve ser feito por meio das redes midiáticas do Governo Federal. Essa ação possui a finalidade de conscientizar os brasileiros a respeito da maneira pela qual os portadores do TEA devem ser inclusos socialmente.