Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/12/2020

No livro “Brasil, país do futuro”, escrito por Stefan Zweig, aponta para a idealização de uma nação próspera. Judeu e austríaco, o historiógrafo fugiu de seu país sob ameaça nazista de Adolf Hitler, e encontrou refúgio no território canarinho, onde, segundo ele, seria uma terra próspera para a ruptura dos costumes maléficos à sociedade. Todavia, verifica-se que a dificuldade da inclusão de pessoas com autismo no Brasil apresenta-se antagonicamente ao ideário exposto por Stefan. Dessarte, a problemática em questão deve-se, essencialmente, à negligência estatal e à falta de ativismo social.

Em primeiro plano, a Carta Magna de 1988, concebida por meio do processo de redemocratização, prevê, como garantia fundamental, o direito à educação, bem como a criação de mecanismos que viabilizem a formação educacional de pessoas com deficiências intelectuais. Entretanto, o Poder Estatal, por falta de políticas públicas, fere a legislação. Por conseguinte, o Ministério da Educação não promove, de maneira efetiva, a contratação de especialistas na formação de pessoas com autismo, provocando, consequentemente, uma evasão escolar dessa minoria. Desse modo, faz-se mister que ocorra uma reformulação dessa postura estatal.

Em segundo plano, é fulcral destacar que a problemática encontra terra fértil na falta de ativismo social. Nesse sentido, a cegueira moral, fenômeno descrito por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre Cegueira”, retrata a alienação e o descaso do corpo social frente às demais realidades, fomentada a partir do interesse próprio, insensibilidade, e falta de empatia diante de um problema. Tal fato pode ser exemplificado na falta de ativismo social na inclusão de pessoas autistas, fruto de uma construção histórica, que isola e reprime aqueles que não seguem os preceitos da sociedade. Diante disso, com a falha nesse sistema, o indivíduo torna-se vulnerável a mais problemas, o que prejudica a harmonia da coletividade e a efetivação da cidadania plena dessa parte da população.

Isto posto, é inegável a necessidade de intervenção no que tange à problemática. Para tanto, o Governo Federal, aliado ao Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, deve promover a criação de profissionais especializados na formação educacional de autistas no Brasil, de modo que promova uma maior inclusão social e a desmitificação de conceitos preconceituosos, a fim de dar consciência à geração do século XXI. Ademais, a mídia como um todo deve promover, em níveis mundiais, palestras educacionais por meio do ambiente virtual, as quais deverão ocorrer gratuitamente com profissionais capacitados, tendo como finalidade promover uma conscientização coletiva. Dessa forma, a ideia de Zweig para o Brasil deixará de ser ficção e, finalmente, será efetivada.