Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 07/01/2021
A série “It’s okay not be okay” tematiza, em alguns de seus episódios, os desafios enfrentados por um homem autista no seu cotidiano em virtude, sobretudo, das ações intolerantes da sociedade. De forma similar a realidade cinematográfica, inúmeros autistas encontram dificuldades em sua inserção no convívio social devido, principalmente, a discriminação por parte da sociedade e a falta de medidas governamentais que visem a integração dessa faixa da população, especialmente nas escolas.
De acordo com a filósofa húngara Agnes Heller, “crer em preconceitos é cômodo, porque nos protege do conflito e confirma nossas ações anteriores”. Nessa lógica, a intolerância é um fator de integração social, ou seja, mantém a estabilidade de um grupo - que partilha dos mesmos valores e, logo, contribuem para a formação de uma cultura de ódio. Dessa forma, ainda que parte do grupo reconheça a discriminação contra os portadores dessa síndrome como um ato retrógrado e de caráter destrutivo, dificilmente se despirão do que foi preconcebido por eles e, assim, continuam a marginalizar essas pessoas, a exemplo do que aconteceu no personagem da série supracitada.
Somado a isso, tem-se o fato de que os mecanismo estatais mostram-se inertes no que diz respeito à elaboração de políticas governamentais capazes de sanar o impasse. Assim, em contraste com o que defendia o sociólogo Friederich Hegel, o Estado tem falhado no papel de proteger seus filhos. Isso poder ser comprovado ao analisar tanto a falta de capacitação dos professores das escolas públicas para lidar com crianças autistas quanto a inadequação das escolas para atender suas necessidades específicas. Logo, é imprescíndivel que haja uma alteração nesse quadro em prol da inclusão desse grupo no corpo social.
Portanto, é de suma importância que atitudes sejam tomadas a fim de minimizar os desafios da inclusão de pessoas com espectro autista na sociedade. Para isso, é necessário que o Poder Público, em parceria com a mídia - especificamente as redes sociais de grande alcance, como o “Facebook” e o “Instagram” - desmitifique esse transtorno a partir de campanhas e anúncios, com vistas à diminuir a discriminação contra essas pessoas. Além disso, os governos estaduais e municipais devem promover maior integração dos austistas no âmbito escolar, por meio da capacitação e qualificação da equipe das escolas - cuja instrução deve incluir palestras de especialistas nessa síndrome. Assim, espera-se que haja maior integração dos autistas na sociedade e que as adversidades enfrentadas pelo personagem da série sejam evitadas.