Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 07/12/2020
O jornalista Gilberto Dimenstein elaborou uma tese denominada “O Cidadão de Papel”, na qual o autor define o termo como o indivíduo que, apesar de possuir direitos na legislação, não os vivencia, devido à desinformação por parte da população ou à subtração destes pela esfera governamental. Fora da ficção, é fato que a expressão apresentada por Dimenstein pode ser relacionada aos desafios da inclusão dos autistas no Brasil, uma vez que esses também possuem direitos constitucionais. Diante disso, vale salientar que o descaso governamental e o preconceito corroboram para essa problemática. Em primeira análise, deve-se destacar que o Poder público falha ao cumprir seu papel como agente fornecedor de direitos mínimos. Nesse âmbito, a Constituição Federal de 1988 “assegura” todos os deficientes, entre eles os autistas, sendo, também, responsável pela inclusão destes na sociedade. Sob tal ótica, percebe-se que essa lei não se vê presente, já que não há políticas públicas voltadas a essas pessoas, como na educação, em que muitas instituições de ensino não têm suporte e apoio necessário aos indivíduos com autismo, e no mercado de trabalho, no qual, em muitas das vezes, recusam destinar vagas a esses deficientes. Por conseguinte, essa negligência contribui para a perpetuação desse tipo de ação negativa.
Outrossim, cabe ressaltar que o prejulgamento sofrido pela população autista é bastante recorrente na sociedade. Nessa perspectiva, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, em 2019, cerca de 47% das pessoas com autismo têm dificuldade de interagir socialmente, pelo fato de haver uma repulsa entre cidadão “normal” e autista. Sob esse viés, evidencia-se uma exclusão social entre indivíduos, devido ao processo de formulação da identidade dos brasileiros, visto que são submissos ao padrão. Por consequência, essa atitude dificulta o processo de inclusão dos deficientes na sociedade. Logo, fica visível a necessidade de uma intervenção estatal, para que essa questão seja modificada.
Portanto, para que haja a inserção social das pessoas com autismo, é imprescindível o esforço o coletivo entre o Estado e as comunidades. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, em parceria com entidades midiáticas, reforçar o que é dito pela Constituição de 1988, mediante canais de comunicação, como em redes sociais e jornais, com o intuito de conscientizar a população acerca dos direitos daqueles deficientes. Ademais, deve propor uma reeducação sociocultural, por meio de campanhas educacionais em livros, palestras em escolas-com profissionais especializados na área-e livros, para que assim possa diminuir o preconceito sofrido por esses indivíduos. Por tudo isso, será possível caminhar para uma sociedade harmoniosa.