Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 05/12/2020
Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de uma corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é possível perceber a mesma condição no que concerne à falta de inclusão de pessoas com autismo no Brasil, que segue sem intervenção que o resolva. Nesse sentido, estratégias precisam ser aplicadas para alterar essa situação, que tem como causas a falta de debate e a sensação de superioridade.
Em primeira análise, é preciso atentar para a ausência de diálogo presente na questão da exclusão do autista da sociedade. Nesse contexto, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como a negligência com o autismo seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada. Prova disso é que, apesar de o autismo ter um auto índice de ocorrências, a síndrome foi classificada como doença pela ONU apenas em 1993. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Em segundo plano, a sensação de superioridade se faz terreno fértil para a segregação de pessoas com autismo. Sob essa lógica, a Teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e usada como base do nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa perspectiva, portanto, haveriam seres humanos superiores, a depender das suas características. No contexto brasileiro atual, a noção eugênica pode ser percebida na questão do afastamento de autistas, cuja base é uma discriminação latente. O preconceito em questão pode ser visto no fato de que, segundo o jornal O Tempo, em 2019 ainda haviam escolas se recusando a matricular alunos portadores de autismo.
Isto posto, torna-se evidente que a inclusão de pessoas com autismo na sociedade brasileira ainda é um desafio que necessita de intervenção. É necessário, dessa maneira, que o Ministério da Cultura, em parceria com mídias de grande acesso, promova uma rede de propagandas e campanhas sobre a síndrome em pauta, a fim de destacar a importância da diversidade e divulgar canais de denúncia para casos de discriminação. Tais propagandas poderiam circular em paradas de ônibus das grandes cidades, assim como em canais de televisão, para atingir grande parte da população brasileira e romper com a mentalidade eugênica.