Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 22/12/2020
A educação ensina.
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de inserção social, os desafios de inclusão de autistas funcionam como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, a falta de informações corretas e de atenção impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.
Em primeira análise, a carência de conhecimento sobre o significado do autismo apresenta-se como um dos fatores para a resolução do problema. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se os seres não possuem informações suficientemente sérias sobre o autismo, sua visão será limitada, dificultando a resolução da problemática. Com isso, a sociedade se torna segregadora em que os indivíduos portadores dessa doença serão excluídos das interações interpessoais, o que gera um preconceito comunitário global, realidade a ser mudada.
Em segunda análise, a falta de atenção, somada a infraestrutura deficiente dificulta a inclusão dessa parcela populacional. Segundo John Locke, na teoria do contrato social, todos os indivíduos do coletivo possuem direitos inalienáveis, como a educação. Nesse contexto, a fala do filósofo não está sendo aplicada a realidade brasileira, uma vez que o governo carece de prioridade sobre a infraestrutura que permita o acesso de pessoas com autismo ao sistema educacional – construtor da identidade social. Nesse plano, as consequências serão que os indivíduos não poderão desenvolver sua capacidade de conviver em harmonia social, aprendido no ambiente educacional, promovendo a exclusão de toda e qualquer forma de ascensão social, o que deve ser alterado para garantir os direitos propostos pelo pensador.
Portanto, medidas são necessárias para resolver a inclusão dessa parcela populacional. Por conseguinte, cabe à Escola promover palestras, ministradas por psicólogos, nos ginásios das instituições de ensino, com o “slogan”: “o que é o autismo?”. Esse projeto pode ser feito por meio de um diálogo entre o público presente e o especialista sobre o significado do autismo, suas ramificações como a Síndrome de Down e seus vários níveis, a fim de que a população possa refletir sobre o assunto e promover um movimento antipreconceito, resultando em uma sociedade informatizada e promotora de mudanças sociais. Dessa forma a limpeza completa do oceano, a fé na humanidade e o reconhecimento de todos os formadores do coletivo tornar-se-ão destinos certos.