Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 11/12/2020

Sob a perspectiva filósofica de São Tomás Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, ao observar os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, percebe-se que tais indivíduos não têm os mesmos direitos e valores na sociedade. Ao analisar as razões para a ocorrência de tamanha adversidade, vê-se a ineficiência governamental e o papel omisso dos ambientes escolares. Desse modo, é necessário que a sociedade em geral, aliada ao Estado, atue de maneira engajada, no sentido de evidenciar as causas e de propor as soluções adequadas para à atual conjuntura.

É indubitável pontuar, inicialmente a inobservância governamental que é o principal fator responsável pela permanência de tal cenário. Tal fato ocorre porque as autoridades competentes são negligentes quanto a tomada de medidas em relação a consientização da população sobre as características das pessoas portadoras do autismo e de como se comportar na presença desses cidadãos. Sob esse prisma, de acordo com o sociólogo Zygmund Buaman, em sua obra “Modernidade Liquída”, algumas instituições- dentre elas o Estado- perderam o seu papel social e configuam-se como “Instituições Zumbis” ao manter apenas a sua forma de encarregar a população da resolução de seus problemas. Nesse sentido, com a falta de investimentos em campanhas de conscientização e adaptação em ambientes públicos para receber pessoas com a síndrome, os autismas sofrem por não poderem sair de casa sem serem vítimas de algum desconforto.

Outrossim, é imprescindível ressaltar que a ausência escolar é outro fator determinante. Essa situação se deve porque muitos docentes não tem a preparação didática para educar as pessoas que possuem autismo. Além disso, os estudantes não entendem o comportamento dos autismas, o que ocasiona a exclusão desses indivíduos portadores da síndrome. Segundo a filósofa judia Hannh Arendt, em sua teoria “Banalidade do Mal”, o comportamento preconceituoso passa  a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam. Nesse contexto, por consequência da falta do preparo escolar para receber essas crianças, faz com que muitos sofram preconceito e exclusão social.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço de tal problemática na sociedade. Para tal, o Governo federal, como instância máxima, em parceria com a mídia, deve, por meio de um projeto social, elaborar campanhas educacionais que sejam transmitidas nos canais televisivos de maior audiência, enfatizando os problemas que os autismas enfretam na sociedade, como a exclusão social e o preconceito, a fim de promover o respeito com esse grupo, bem como a inclusão destes no corpo social. Assim, é possível confirmar a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino.