Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 15/12/2020
Ludwing Van Beethoven, um dos músicos mais brilhantes da história, produziu cerca de 200 sonatas, sinfonias e concertos. Contudo, para chegar a esse nível, ele precisou aprender o básico da teoria musical. De forma análoga, para o progresso de uma sociedade, é necessário que haja o básico: respeito e empatia, algo que não é observado no que tange à discussão acerca do autismo no Brasil. Nesse contexto, a falta de debate sobre o tema traz como consequência o preconceito e a ignorância.
A princípio, cabe destacar a ausência da disseminação de conhecimento a respeito dessa síndrome. De acordo com a Fiocruz, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba vários níveis de perturbação no desenvolvimento neurológico, os quais todos comprometem a interação social do indivíduo afetado. Tendo isso em vista, é preciso haver instruções e informações específicas para atender as necessidades dessa população sem excluí-la do meio social. Porém, ao analisar o cotidiano, observa-se uma despreocupação em relação ao assunto e, como exemplo, vale ressaltar os dados divulgados pelo censo escolar de 2016: apenas 26% das escolas públicas são acessíveis a pessoas com deficiência. Sendo assim, sem que haja conscientização e acessibilidade a favor dos portadores de autismo, a situação se agravará.
Por conseguinte, a desinformação gera aversão. Segundo o psicanalista Freud, “o novo sempre despertou perplexidade e resistência”, ou seja, quando se trata do desconhecido, é natural que haja a criação de barreiras. Nesse contexto, é válido dizer que a questão do TEA é “nova” para a maioria dos brasileiros, tendo em vista que a problemática lhes é apresentada de forma tardia. Logo, ao ter contato com um autista, os indivíduos tendem, de forma subconsciente, a excluí-lo em vez de buscar meios para que ele se adapte ao convívio social. Portanto, o conhecimento a respeito desse transtorno deve ser disseminado para maior inclusão social.
Desse modo, é evidente que há uma necessidade de discussão acerca do autismo no Brasil. Para mudar a atual conjuntura, é preciso que as escolas, instituições essenciais para a formação do ser, fomentem o debate sobre o tema por meio de palestras com profissionais que abordem a importância do convívio com a diversidade. Ademais, para que as crianças vejam essa importância na prática, é essencial que haja a convivência entre os portadores da síndrome e os não-portadores. Assim, a fim de informar e conscientizar a população, espera-se que a sociedade aprenda a praticar o básico: respeito e empatia.