Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 18/12/2020

A série americana “Atypical” retrata a vida de Sam Gardner, um jovem diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que luta diariamente com as dificuldades advindas da convivência dele com a sociedade, sobretudo na escola e em seu ambiente de trabalho. Fora da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange à questão da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, uma vez que esse cenário apresenta um quadro preocupante e desafiador. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a lenta mudança da mentalidade social e a priorização de interesses financeiros.

A princípio, a tardia alteração da mente coletiva, em relação a inserção de pessoas autistas na sociedade, caracteriza-se como um complexo dificultador. Diante disso, no século XVI, houve um redimensionamento da visão com relação à deficiência, que deixou de ser tratada como uma questão moral para ser compreendida por uma abordagem médica. Isso posto, o “Mito da Caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusam a observar a realidade em virtude da ignorância de sair de sua zona de conforto. Logo, nota-se que mesmo após o reconhecimento médico do tema, a população ainda se mostra ignorante quando se trata de indivíduos com autismo, contribuindo na dificuldade de inserir essas pessoas na sociedade e fazendo com que a falta de informação resulte em discriminação.

Além disso, outro ponto relevante, nessa temática, é a prioridade que as entidades dão à questão financial. Nesse sentido, segundo dados da Organização das Nações Unidas, estima-se que cerca de 2 milhões de brasileiros apresentem TEA. Entretanto, desde os processos denominados revoluções industriais e a ascensão do capitalismo, o mundo vem demasiadamente priorizando produtos e mercado em detrimentos de valores humanos essenciais, como a inclusão de autistas na sociedade. Assim, é nítido que uma vez que o principal foco das instituições são os interesses monetários, os métodos para incluir cidadãos com esse transtorno acabam ficando de escanteio, impossibilitando que haja investimentos públicos para inseri-los em escolas ou no mercado de trabalho, por exemplo.

Dessarte, é evidente que os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil precisam de soluções pontuais. Portanto, é necessário que o Ministério da Educação (MEC), em parceria com o poder midiático, crie campanhas informativas e inclusivas, como palestras, comerciais e eventos públicos, que conscientize a população sobre o espaço que os autistas possuem por direito nos meios sociais, educando as pessoas a incluírem e a lidarem bem com essa minoria. Ademais, é importante que o Ministério da Economia também faça campanhas que induzam as empresas a patrocinarem com recursos assistências e didáticos adaptados para autistas, e até mesmo direcione esse grupo a vagas de emprego nas organizações. Assim, talvez, os cidadãos portadores do TEA sejam mais inclusos na sociedade.