Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 30/12/2020

A série “Atypical”, estreada pela Netflix, retrata a rotina de um jovem diagnosticado com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) que busca autonomia e inclusão social. Apesar de ser ficcional, a obra expõe uma questão vivenciada na atualidade: a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Nesse seguimento, essa integração dos indivíduos autistas enfrenta obstáculos para ser efetivada, como a desinformação da sociedade e a maneira com que a mídia aborda o assunto. Por isso, torna-se necessário o debate acerca dos desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil.

Primeiramente, é importante destacar a falta de informação da população em relação ao transtorno. Nesse sentido, o dia 2 de abril é designado como Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Nessa continuidade, percebe-se que há iniciativas para disseminação de conhecimento sobre o autismo, entretanto essas atitudes são escassas e insuficientes, haja vista que ainda existem muitos estereótipos envolvendo o assunto, “todo autista é superinteligente”, por exemplo, o que não reflete a realidade de todos os indivíduos que têm o transtorno. Desse modo, é notável que a população carrega um conhecimento raso sobre o TEA e não compreende as variedades de distúrbios que os diagnosticados podem apresentar, dificultando a integração desses no meio social.

Em segundo lugar, vale ressaltar que o autismo não é abordado de maneira adequada pela imprensa. Sob essa ótica, de acordo com os filósofos da Escola de Frankfurt a mídia pode ter efeitos nocivos na formação crítica de uma sociedade. Nesse viés, evidencia-se que a influência dos meios de comunicação em massa teve impactos negativos na construção do pensamento dos cidadãos acerca do TEA, visto que, geralmente, o tema é abordado apenas sob um ângulo problemático e excludente, gerando na população um sentimento de incompatibilidade. Dessa forma, o distanciamento, motivado pela mídia, entre os autistas e os indivíduos que não possuem o transtorno atrapalha a integração desses.

Infere-se, portanto, que providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Assim, é mister que as empresas televisivas, como a Globo, mediante a escolha de horários livres que abranjam o maior número de telespectadores, divulguem campanhas publicitárias acerca do Transtorno Espectro Autista. Isso deve ser feito em parceria com o Movimento Orgulho Autista Brasil (MOAB), que irá elaborar os comerciais abordando o tema de maneira precisa e natural. Tais medidas têm a finalidade de conscientizar a população acerca do autismo e acabar com o distanciamento propagado pelos meios midiáticos. Somente assim, será possível vencer os obstáculos e promover a inclusão de pessoas com autismo no Brasil.