Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 19/12/2020
Na série estadunidense “Atypical”, Sam é um jovem autista que enfrenta diversas situações desconfortáveis para viver em sociedade, isto é, a população, em geral, não é habituada a conviver com as diferenças. Fora das telas, a realidade é a mesma, pessoas com autismo são excluídas socialmente devido à padronização comportamental que elimina a pluralidade social. Nesse sentido, torna-se evidente que essa problemática tem como origem a negligência do Estado, o qual funciona como ferramenta de alcance de interesses individuais e, ainda, promove uma educação falha.
Em uma primeira análise, vê-se que a manutenção dos espaços de poder origina a exclusão de pessoas autistas. Nessa perspectiva, segundo Michael Foucault, filósofo francês, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de controle e coerção, os quais aumentam a subordinação. Sob essa ótica, constata-se que a sociedade se organiza a partir de hierarquias sociais e os grupos que detém o poder nesta pirâmide estão constantemente tentando solidificar sua posição de superioridade, mesmo que isto custe a dignidade de minorias.
Outrossim, o sistema educacional brasileiro cria pessoas individualistas, ou seja, uma sociedade incapaz de refletir sobre o coletivo. Dessa maneira, a educação tecnicista foca em conteúdos técnicos e formadores de mão-de-obra produtiva, não capacita o sujeito para viver em sociedade e agir diante às malezas sociais. Essa reflexão pode ser confirmada pelo geógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, o qual afirma que a democracia é extremamente necessária para fundamentação cultural do indivíduo, porém só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o governo federal, por intermédio dos meios midiáticos, crie um Plano Nacional de valorização de pessoas autistas, o qual promova campanhas informativas sobre a doença. Desse modo, o intuito de tal medida é promover a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Sendo assim, o contexto vivenciado será gradativamente minimizado e se distanciará da ficção exposta em “Atypical”.