Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 22/12/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar coletivo. No entanto, tal prerrogativa não tem se repercutido com ênfase na prática quando se observa os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social. Diante dessa perspectiva, faz-se imprencindível a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, é válido ressaltar a ausência de medidas governamentais no que se refere a inclusão dos autistas. Diante de tal exposto, é notório a carência da acessibildade de autistas à hospitais, escolas e ao mercado de trabalho por exemplo. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta do tratamento prévio dos autistas como impulsionador do isolamento social dessas pessoas. Segundo o educador Paulo Freire, “A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades.” De maneira análoga, vê-se que é indubitável o investimento da tecnologia na medicina para assegurar as famílias e aos pacientes um diagnóstico precoce e um tratamento adequado, já que é fundamental a descoberta da doença a partir dos 2 anos de idade para que haja eficácia no desenvolvimento do indivíduo e de sua introdução na sociedade.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescendível que a OMS (organização mundial da saúde), elabore palestras e campanhas nas escolas e juntamente com a mídia, com o intuíto de informar a população sobre a importância do conhecimento dessa enfermidade que é tão comum, porém, tão pouco discutida, a fim de prover a visibilidade dessas pessoas que necessitam serem ouvidas e assistidas de maneira especial e humana. Outrossim, é essencial que o Ministério da Saúde aplique medidas de melhoria nos hospitais do país, investindo em profissionais capacitados, vagas nos postos de saúde públicos e parcerias público-privadas, visando ampliar o atendimento médico e facilitar a procura. Desse modo, será possível combater a desigualdade que restringe os portadores do autismo a viver no mundo lhes pertence, e os introduzi-los de maneira responsável e íntegra.