Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 25/12/2020

A Carta Constitucional assegura o bem-estar social como um direito fundamental a todo cidadão. No entanto, nota-se que não há o exercício pleno dessa garantia, uma vez que a dificuldade de inclusão de pessoas com autismo é um problema a ser enfrentado pela sociedade. Dessa maneira, esse cenário se mantém no Brasil não somente pelo descaso das autoridades, mas também em razão da omissão midiática.

Diante disso, é relevante abordar que a ausência de amparo estatal coopera para a consolidação da problemática.  Sob essa ótica, o escritor Gilberto Dimenstein disserta a respeito da inefetividade dos direitos constitucionais, posto que esses estão presentes apenas na teoria. Nessa lógica, o Poder Público é negligente em virtude da falta de capacitação e preparo das equipes pedagógicas para lidar e instruir a sociedade civil na integração dos autistas a partir do ambiente escolar,  sendo assim, pactua com esse quadro. Logo, a realidade reforça a teoria do escritor, pois as cidadanias estabelecidas na Constituição não são executadas.

Ademais, ressalta-se que a irresponsável mídia ao não abordar sobre o tema colabora para a gradação dessa conjuntura. Dessa forma, de acordo com o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, uma das principais característica do brasileiro cordial é sobrepor os interesses indivíduais aos coletivos. Nesse viés, a ausência de propagandas sobre a importância da inclusão de pessoas com autismo na construção de uma sociedade empática, faz com que os cidadãos permaneçam em uma visão individualista. Assim, a sociedade civil não detém o conhecimento necessário para a mudança de comportamento sobre a questão, o que faz com que a teoria do sociólogo seja atemporal.

Portanto, constata-se que é imprescindível mudanças para a construção de uma sociedade harmônica. Desse modo, cabe à mídia, principal transmissora de informação e influência social, orientar à população sobre a relevância da inclusão social de pessoas com autismo, por meio de palestras socioeducativas que propraguem orientações sobre a temática, para que a integração de pessoas com deficiência possua visibilidade. Com isso, o proposto pela Carta Magna brasileira será efetivada com êxito.