Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 28/12/2020

Conhecida como “Cidadã”, por ter sido concebida no processo de redemocratização, a Constituição foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar direitos, como a educação e inclusão social, junto com a não discriminação. No entanto, apesar da garantia constitucional, notam-se que os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil representa uma falha nesses princípios. Dessa forma, entende-se que o preconceito, tal qual a exclusão, são entraves para a resolução da problemática.                Deve-se destacar, de início, o preconceito como um dos complicadores do problema. Nesse sentido, no seriado “o bom doutor”, um jovem médico com autismo vindo do interior começa a trabalhar em um famoso hospital. Além dos desafios da profissão, Shaun Murphy precisa provar sua capacidade a seus colegas e superiores. Segundo o filósofo Voltaire, “o preconceito é opinião sem conhecimento”, o que é comprovado de acordo com o Doutor Drauzio Varella, que relata que, frequentemente, os autistas com grau leve são muito inteligentes, somente são sensíveis ás mudanças súbitas, o que faz com que possam ter uma vida bem próxima da normalidade. Muitos vivem anos sem receber diagnóstico e são confundidos com pessoas extremamente tímidas. Dessa forma, a série ilustra como o capacitismo enraizado na sociedade é um dos obstáculos para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil.

Por consequência, há a exclusão de pessoas autistas causada pelo preconceito. No programa de televisão “Atypical”, Sam é um adolescente do ensino médio com autismo e não possui amigos em sua escola, exceto por sua irmã. Em sua formatura, colegas assinam seu anuário com palavras ofensivas como perdedor, aberração, desabilidoso e estranho. Da mesma forma, em 2014, o site G1 noticiou que um menino estudava há cinco anos em uma escola particular de Sorocaba, a quem disseram que ele deveria sair da mesma, pois, por ser autista, a instituição de ensino não ia mais conseguir atendê-lo. Assim, percebe-se que o preconceito enraizado na sociedade cria empecilhos na vida social e educacional, direitos básicos previstos na Carta Magna, da pessoa com autismo, impedindo a sua inclusão.

Portanto, é evidente que os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil, causada pelo preconceito que, como resultado, motiva a exclusão dessas pessoas nos âmbitos sociais e educacionais. Destarte, o Ministério da Educação, responsável pelos assuntos relacionados à educação e à melhora dessa no território nacional, em parceria com o Ministério da Saúde e as escolas, deve promover palestras, com a ajuda de pedagogos e psicólogos, para falar sobre o autismo. A fim de erradicar o preconceito, capacitismo e exclusão e garantir os direitos previstos na Constituição.