Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/01/2021

O livro “A escova de dentes azul”, do apresentador de TV Marcos Mion, busca conscientizar e sensibilizar as pessoas sobre a rotina de Romeo, filho do escritor, uma criança com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa obra ilustra os desafios existentes para a efetiva inclusão desse grupo de pessoas no Brasil. Nesse sentido, torna-se incontestável que esse panorama tem como origem a negligência do Estado, visto que a sua ineficiência contribui para a perpetuação dessa realidade. Assim, a frágil inclusão escolar e a falta de informação acerca do TEA aprofundam esse cenário.

De início, evidencia-se um ensino escolar inclusivo ineficáz, embasado na indiferença governamental, alicerça os impasses para a efetiva inclusão do autista no Brasil. Isso ocorre porque o corpo docente, na maioria das vezes, não é capacitado - tanto nos cursos de licenciatura, quanto no ambiente de trabalho - para lidar com alunos com TEA, o que denota uma postura estatal negligente. Essa crítica é análoga a obra Cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, ao preconizar que os direitos do cidadão brasileiro se restringem tão somente a forma da lei. Nessa perspectiva, as pessoas com necessidades especiais, inclusive os autistas, não usufruem do direito à cidadania na prática. Isso mostra a importância de incluir socialmente esses indivíduos.

Outrossim, a escassez de informações sobre o autismo, aliada a passividade estatal, potencializa os obstáculos para a inserção social das pessoas com esse transtorno. Essa situação acontece devido a falta de orientação no corpo social acerca das particularidades do TEA, visto que os espectros da neurodiversidade desse grupo são amplos e necessitam de atenção por parte do Estado. Esse fato é análogo ao conceito de Estigma Social, do sociólogo Erving Goffman, definido como marca que desqualifica o indivíduo para aceitação social plena. Ilustra-se isso, o exemplo de que no imaginário coletivo o autismo é considerado um retardo mental, de modo a comprovar uma triste realidade.

Portanto, é transparente que os desafios da inclusão do autista no Brasil é reflexo da postura estatal negligente. Sendo assim, para essa segregação ser mitigada é necessário que as famílias pressionem o governo federal para atuar por meio do Plano Nacional Inclusivo, via Ministerio da Educação, com o objetivo de promover a inclusão escolar efetiva mediante mecanismos de qualificação dos profissionais de educação, como treinamentos, seminários, e orientações de como proceder com alunos com TEA. Isso visa o desenvolvimento das capacidades e a inclusão cidadã dessas pessoas. Esse Plano deve conter um fundo para combater a desinformação sobre o autismo, por meio de midias sociais, com orientações ao tecido social sobre as potencialidades dos tantos brasileiros como o Romeo.